Imagem da Wikipedia. Depois tiro uma foto do livro que eu peguei
Quando ainda tínhamos o SIMATA! - há um bom tempo, na verdade -, a Andy postou sobre "como reconhecer um livro pela capa", em que ela elencava uma série de dicas para reconhecer os best sellers. Lembro vagamente delas, mas incluíam "nome do autor maior do que o do livro, seguido por outros livros que ele já tenha escrito", "capa muito bonita, para chamar a atenção" e outras coisas. Coma preenche vários desses pré-requisitos, então eu não dei muito para ele, quando o peguei, na biblioteca do Centro Espírita.
Então, por que diabos tu pegou ele? A verdade é que o que me atraiu foi que, na contracapa do livro, dizia que o autor "usou seus conhecimentos de medicina para escrever o livro". E realmente, ele descreve muito bem os procedimentos médicos, a rotina e o interior do hospital, de modo que, muitas vezes, eu cheguei a não entender direito o que ele tava falando (porque ele usa muitos termos técnicos). De todo modo, é muito interessante ver alguém falando sem ser aquele monte de abobrinhas de enrolação que usam nos filmes (sabe quando um personagem fala bem rápido, explicando o que tá acontecendo? Ele não explica nada, só amontoa nomes técnicos). Ao final do livro, há umas palavras do autor em que ele, inclusive, indica artigos para quem tiver interesse em se aprofundar no tema!
Quanto ao enredo: nada muito original, claro. Afinal, tráfico de órgãos pra transplante é um tema que eu já devo ter visto em pelo menos dois outros livros, além de filmes e novelas. O livro, porém, é bem escrito (a linguagem é bem simples e direta) e o roteiro convence. A cena em que Susan é perseguida pelo assassino/estuprador contratado é bem intensa. (nota: adorei o final que ele teve)
Depois: o livro traz um subtema, sobre como as mulheres sofrem discriminação quando optam pela medicina. Eu achei isso muito legal. A garota, inclusive, faz praticamente tudo sozinha no livro. É ela quem suspeita de que algo está errado, é ela que vai investigar, é ela que procura ajuda nos superiores (sem encontrar, claro), etc, etc. O cara só fica desencorajando ela e naturalizando o preconceito que ela sofre. Claro que o livro tem umas "omices" - afinal, foi um homem que escreveu, e ele nem tem como saber o que passa na cabeça de uma mulher colocada na situação de Susan -, como, por exemplo, a parte que ela tem dificuldade de se assumir como mulher porque está num ambiente tipicamente masculino. Ele diz que ela "não se sente mulher". No final tem outra "omice" mas eu não vou contar pra não estragar o fim do livro.
Ele inclusive pesquisou sobre isso também.
Enfim. O livro vale a pena - por ter uma garota que é protagonista mesmo, não uma bond girl e nem uma heroína como a Lara Croft, que é só para agradar os punheteiros de plantão - e por ter sido escrito por alguém que conhece por dentro a medicina.
Esse é um livro que eu nunca tive vontade de ler. Foi um sacrifício pra começar, continuar, terminar. Chatin, chatin. Mas eu me adianto.
Eu já devo ter dito que vou prestar vestibular pra moda, no final do
ano. Pois então. Comecei a estudar, e pelo mais fácil: ler os livros. O
primeiro foi um que eu já tinha em casa, que peguei no Floripa Letrada
há uns anos - e guardei porque a Andy também queria ler, mas acabou não
lendo. O fato é que pretendo devolvê-lo logo ao terminal. Foi O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna. Mas, como eu já terminei O Cortiço, e acabei a resenha dele primeiro, vou postar ele primeiro.
O Cortiço (um dos maiores expoentes do Naturalismo no Brasil) conta a história de João Romão, um português que começou a vida muito pobre e foi, aos poucos, à custa de muito trabalho e muita corrupção, enriquecendo, até que, enfim, casa-se com uma filha de um barão e se torna um homem respeitável na sociedade. O livro é um poço sem fundo de lugares e senso comuns. Não falta nem o famoso "brasileiro é vagabundo, europeu é trabalhador", a "mulata lasciva", a negra burro de carga, as lavadeiras fofoqueiras, os barracos, sexo explícito, muito racismo e machismo.
Pra vocês terem noção, explicando a queda que Rita Baiana (a mulata lasciva) tem por Jerônimo, português, ele diz "o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior". Pensem! Esse é o exemplo mais vivo e contundente, mas há muitos outros.
Outro exemplo, agora de machismo. Pombinha, depois da menstruação, passa a desprezar os homens. Aí eu pensei que ia vir misandria, mas acabou só sendo um "você tem um momento pra ouvir o sofrimento duzomi?". Encontrei o trecho:
Que estranho poder era esse, que a mulher exercia sobre eles (os homens), a tal ponto, que os infelizes, carregados de desonra e de ludíbrio, ainda vinham covardes e suplicantes mendigar-lhe o perdão pelo mal que ela lhes fizera?...
e depois continua: "E viu o Firmo e o Jerônimo atassalharem-se como dois cães que disputam uma cadela da rua" (a pobre mulher do Jerônimo, que foi largada à mingua e se tornou alcoólatra, foi violentada diversas vezes e, por fim, expulsa do cortiço, ela não viu, né?); e viu o Miranda, lá defronte, subalterno ao lado da esposa infiel (esse Miranda ficou com a mulher por causa do dinheiro dela); e viu o Domingos, que fora da venda, furtando horas ao sono, depois de um trabalho de barro, e perdendo seu emprego e as economias ajuntadas com sacrifício, para ter um instante de luxúria entre as pernas de uma desgraçadinha irresponsável e tola (a moça que ficou grávida, foi abandonada, primeiro pelo próprio Domingos e depois pela mãe, que bateu horrores nela, e que foi viver com vários homens, um deles lhe batendo tanto que ela abortou, ela não viu). Enfim, sofrimento duzomi.
No fim, não evoluímos quase nada, a julgar pelos comentários que se vê internet a fora. O próprio Aluísio ficaria envergonhado.
Voltando ao assunto: é claro que esses temas devem ser debatidos e que o livro deve ser lido. Mas muito bem criticados, e não simplesmente jogar nossos adolescentes sozinhos com um romance dessa envergadura, mostrando pra eles coisas inúteis como "escola literária".
Além da história principal, o livro conta as picuinhas dos moradores do cortiço. Uma que engravida, a outra que não menstrua, briga de vizinho, mulher que trai o marido, e por aí vai. Uma coleção de fofocas, se formos pensar bem. Agora me veio: que romance/novela não é uma fofoca? Nós, leitores, ávidos por cuidar e viver vidas alheias (inventadas ou não, que importa?) devoramos grandes tomos de fofocas bem escritas e ainda discutimos sobre elas, posando de eruditos. Capitu traiu ou não traiu? Pura fofoca. Autobiografias, então...
Claro que o livro é muito maior do que isso, mas eu consigo ver muito mais o retrato da época, do pensamento da época, do que uma obra prima literária. Ao final do livro - que ironia - tem um texto sobre "Por que ler os clássicos", baseado, é claro, no Ítalo Calvino, que eu já conheço. O texto termina com:
A escola e a universidade deveriam servir para fazer entender que nenhum livro que fala de outro livro diz mais sobre o livro em questão; mas fazem de tudo para que se acredite no contrário.
O engraçado é que eu, tendo estudado quatro anos de literatura, ainda prefiro ler uma opinião dum crítico da obra depois de tê-la lido, pra garantir que eu "entenda tudo" o que o livro quis passar. Acho que eu comecei a fazer isso depois da faculdade. Ela me deixou com uma insegurança quanto ao meu próprio julgamento literário, embora eu tenha passado esses quatro anos redigindo ensaios sobre obras literárias.
Por falar em ironias, o final da história traz uma ironia pesada (não tão sutil como as do Machado, mas ainda assim uma ironia). Para se livrar de Bertoleza, a escrava que ele enganou, João Romão procura os antigos donos dela, e a denuncia. Eles vão buscá-la. Para evitar ser pega, a coitada se suicida. Em seguida, aparece uma comissão de abolicionistas que vinha trazer o diploma de sócio benemérito para o João Romão. Pesado.
Já contei o final do livro, já estraguei tudo. Enfim. Eu li já sabendo, não só o final, mas várias coisas, inclusive a cena em que Pombinha menstrua. É uma cena bonita, em que ele compara o sangue e o sol, e uma bela borboleta com as asas de fogo ameaça pousar no ventre da menina. Chega a ser poético (mas aí entra no terreno da poesia e do simbolismo, e eu não manjo nada desse assunto). Ah, claro, a menstruação da Pombinha. Ela era uma menina normal, muito meiga e doce, com um noivo, mas a mãe dela não queria casar ela enquanto não viesse a menarca. E dá-lhe promessa pra Nossa Senhora, e nada da guria sangrar. Um belo dia, depois de ser violentada pela rica prostituta Léonie (não consigo chamar aquilo de outra palavra além de estupro), ela fica o dia todo se sentindo mal e, ao deitar pra descansar, sonha com o sol e a borboleta, e enfim "vira moça".
Pra finalizar: não recomendo. Claro que um clássico é sempre um clássico, e ninguém vai perder nada ao ler, mas não é um livro divertido, do tipo que se lê por fruição. Os naturalistas tinham a ambição de retratar cientificamente a sociedade (o que, como vimos, não conseguiram, pois ele faz diversas afirmações que foram desmentidas pelo tempo e que hoje sabemos ser só senso comum - diametralmente oposto ao científico que almejavam) e, portanto, nada de idealismos fofos típicos do romantismo. Numa coisa conseguiram: criaram uma ciência fria e crua da sociedade. (E agora vem a física quântica e cria uma ciência com um pezinho nas humanas, e esses caras caem do cavalo. Mas eu me adianto e ainda começo a falar de um assunto que não entendo patavinas).
Galere, deixem um comentariozinho aí pra me dar uma forcinha, sim?
Acabei o primeiro tomo de As Mil e Uma Noites, e, ao contrário da propaganda da Andy, não achei lá tudo aquilo.
A história acho que todo o mundo conhece.Um Sultão - espécie de rei - casava-se com uma jovem a cada dia, passava com ela uma noite e mandava matá-la no dia seguinte. Tudo isso porque estava desiludido das mulheres pelo motivo mais velho do mundo - chifres. Cheherazade resolve pôr fim a esse ciclo de horrores e se oferece como esposa. Ela começa a contar histórias para o sultão, que resolve não matá-la até saber o fim. Mas a moça, esperta, prolonga as histórias por mil e uma noites, até que ele se apaixone por ela.
A Andy, na sua resenha, fala de passagens extremamente machistas. Não é só o "Cheherazade era inteligente para uma mulher" a que me refiro. Tem uma história em que encontram uma jovem esquartejada dentro de um baú no rio. O Califa jura que vai enforcar quem fez isso. Encontram o culpado. Era o marido, que o tinha feito por achar que ela o traía. Como, logo após o crime, o sujeito descobre que ela era inocente, ele fica sofrendo horrores por isso, o Califa o perdoou. Imaginem.
Diz a Andy: "As pessoas se matavam por pouca coisa, e tinham um senso de justiça bem estranho." Realmente. Em algumas passagens, o sujeito é enforcado por matar alguém. Em outras, eles matam e não dá nada. Isso sem contar os Califas, reis e sultões, que mandavam enforcar e poupavam sem muitos escrúpulos.
Outra coisa que me chamou a atenção é como as pessoas se guiavam pela aparência. Em uma das histórias, um rapaz é pego roubando e condenado a perder a mão direita. A sentença é executada ali mesmo, pelo guarda que o prendeu. As pessoas se compadecem do rapaz porque ele é de boa aparência e "certamente uma desgraça o obrigou a cometer um ato tão odioso". Em outra história, Badura, a princesa da China, acorda ao lado de um rapaz que não conhecia e se apaixona por ele perdidamente, sem que ele sequer acorde (!) só porque ele é incrivelmente lindo.
Separei algumas histórias dignas de nota:
Simbá, o Marinheiro. Eu achei um pé no saco as histórias dele (são sete as viagens que ele empreende), porque basicamente ele só sai para comerciar, naufraga, encontra canibais e consegue se salvar com muitas riquezas.
A História dos Três Calândares, Filhos de Rei, e das Cinco Damas de Bagdá - Uma das melhores histórias (tirando o final, em que todo o mundo casa e vive feliz pra sempre - indigno da história)
A História Contada pelo Alfaiate - Com um barbeiro absolutamente chato, que importuna um jovem. Se eu, que tava lendo a história, já queria dar umas porradas no barbeiro, imagino o rapaz. Depois, o Califa ainda atura as histórias do bendito.
A História de Abu-Hassan Ali Ebn Becar e de Chemselnihar, Favorita do Califa Harun al-Rachid - Uma história de um casal que se apaixona só de se ver e fica sofrendo horrores por amor, porque não podem ficar juntos. Tipo um Romeu e Julieta das arábias.
A História dos Amores de Camaralzaman, Príncipe da Ilha dos Filhos de Kaledan, e de Badura, a Princesa da China - Mais uma de se apaixonar só de se ver. Mesmo depois de ficarem juntos, a história ainda continua e o primeiro tomo não mostra o final. Vou pegar o segundo só pra terminar essa. (E assim, deixo Cheherazade viver mais algumas noites).
O número máximo de livros que tu pode pegar de uma vez na biblioteca Barreiros Filho é 4, mas dessa vez eu só peguei dois pra ler, porque trouxe uma revista de moda (estou fazendo um casaquinho da revista e está divo - até agora) e também um livro do Jung pro meu pai - ele agora cismou de ler essas paradas. Não sei como ele vai dar conta daquele catatau em linguagem técnica, mas aí não é comigo.
O Céu Está Caindo - Sidney Sheldon
Eu não consigo falar desse livro sem lembrar do Sheldon de Big Bang Theory - e olha que eu só vi uns dois episódios da famosa série rs
Enfim. Quem me conhece sabe que eu dou preferência pra livros clássicos - gente do porte de Dumas e Shakespeare - mas tanta gente me falou do Sheldon que eu resolvi pegar pra ler. E o que eu achei? Simples. O livro é absurdamente simples - pra não dizer simplório. Explicando melhor: a personagem principal, Dana Evans, está investigando as mortes trágicas de cinco pessoas da mesma família, que aconteceram no espaço de um ano. Todos pensam que foram acidentes mas ela suspeita que há algo errado. Aí ela vai fazer perguntas a pessoas que possam saber de algo e chega e pergunta "tu acha que eles foram assassinados?" Porra! É claro que não acha! Senão outra pessoa já teria tido a brilhante ideia de investigar, né? (embora eu ache que a polícia não ia simplesmente acreditar que foram acidentes e tá tudo certo) Aí a pessoa fala "não, eles eram maravilhosos" e despede a moça. Só eu acho que ela deveria ser mais sutil? Depois, se ninguém acredita nela, como é que a tv em que ela trabalha banca todas as viagens que ela faz ao redor do mundo?
Paralelo a isso, tem a relação dela com o filho, um menino sérvio sem um braço que ela adotou quando cobriu a guerra na Sérvia, três meses antes e o noivado dela com o comentarista esportivo do jornal, que viaja para cuidar da ex-mulher com câncer. Mas tudo é retratado de forma primária, sem nenhuma profundidade. Parece livro de adolescente.
Conclusão: até curti ler, mas não pretendo pegar nenhum outro livro do autor, porque não vale a pena.
Rútilo Nada - Hilda Hilst
Esse é o contrário do anterior. Não é poesia, mas também não é prosa. Lembrou o Perto do Coração Selvagem, da Clarice Lispector, que li no ensino médio e também não entendi porcaria nenhuma. Quero dizer, eu entendi a história - começa no velório de um rapaz, sob o ponto de vista de seu amante, que era pai da namorada dele - mas tem muito mais ali que eu não consigo captar. Talvez a linguagem meio confusa e embolada seja o próprio foco da narrativa e eu é que tou procurando grandes histórias. É sobre sentimentos e coisa e tal, não um aconteceu isso depois aquilo.
Conclusão: não leria outro da autora, porque eu não sirvo pra linguagem poética.
Ps: o livro que peguei tem três "livros" da autora, A Obscena Senhora D e Qados. Eu comecei a Senhora D, mas o tipo de linguagem é o mesmo, e eu entendi menos ainda. Não sirvo pra isso.
Diário de um Banana - Jeff Kinney
Uma colega da costura me emprestou esse, mas eu li por esses dias então vou resenhar junto. Não gostei. Imaginei que fosse mais divertido, mas basicamente é só um moleque tentando se dar bem na escola - não ser zoado, tirar notas razoáveis (sem estudar, claro) -, querendo jogar videogame e se dar bem com os pais - leia-se ganhar bons presentes, não ganhar broncas, não ser considerado um filhinho da mamãe e etc. É um pouco parecido com o Todo o Mundo Odeia o Chris, com a diferença que o seriado tem uma crítica social forte e também é mais engraçado e irônico - isso que eu não gosto do seriado.
Conclusão: não daria pro meu filho ler. Tou pensando o que dizer pra minha colega pra ela não me trazer os livros seguintes - ela disse que vai trazer.
Ps: o nome do autor do livro é o mesmo do namorado da Dana, do O Céu Está Caindo
Querido Diário Otário - Jim Benton
Esse eu li na biblioteca mesmo. Também não gostei. É um pouco parecido com o diário do banana, com a diferença que a menina morre de inveja da garota mais popular da escola e vive repetindo que a odeia. Achei superficial e fútil.
Vou resenhar juntos os quatro livros que peguei na biblioteca no dia 8 de abril.
Um Corpo na Biblioteca - Agatha Christie
Cotação: curti.
O detetive principal da trama é uma mulher! Achei muito legal, porque normalmente livros/filmes policiais retratam o detetive como um homem, ou, no máximo, uma dupla, em que a mulher ocupa papel secundário. Miss Marple é uma velhinha solteirona com um raciocínio e capacidade de observações equivalentes aos do Sherlock Holmes (ou do Homem que Calculava). Ela é capaz de tirar conclusões baseada nas unhas da moça morta!!!
A trama é bem intrincada, cheia de personagens (chega até a confundir), mas a conclusão final é baseada em um dado que não é sequer sugerido no livro. Dessa maneira, tu simplesmente não tem como adivinhar o final, tem? Acho que nem com a capacidade de observação da Miss Marple. O fato é que eu já supunha algo parecido com o que aconteceu (só errei os personagens, e por causa desse defeito na narrativa).
Noite de Reis - Shakespeare e A Décima Segunda Noite - Luís Fernando Veríssimo
Cotação: "Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro." (Luís Fernando Veríssimo)
Estou resenhando juntos porque o livro do Veríssimo é inspirado na comédia Shakespeareana, e ambos têm a mesma história. Basicamente, é a de uma moça que, separada do irmão gêmeo, Sebastião - por infelicidade - disfarça-se de homem para trabalhar e se apaixona pelo patrão, que a/o manda cortejar a Olívia, mulher por quem o patrão é apaixonado.
Que confusão, né? Isso tudo é pra ser engraçado. E é. Além da confusão central, acontecem outras, envolvendo o irmão gêmeo da moça (que é confundido com ela), o mordomo da Olívia - que acaba acreditando que a Olívia o ama, o "Lorde Bochecha" - sujeito que é apaixonado por Olívia e amigo do tio dela, Maria - criada ou tia de Olívia, dependendo a versão que se lê - e Antônio - amigo de Sebastião.
E ainda tem o Bobo (sempre tem um bobo nessas comédias) que virou o "Festinha" no A Décima Segunda Noite. Esses bobos são muito engraçados, embora todo o mundo os ache loucos, mas me parecem muito sãos. Eu tenho pra mim que, naquele tempo, tinha um povo que se fingia de louco só pra descolar um empreguinho.
No livro do Veríssimo, o narrador é um papagaio (!) que também se apaixona pela personagem central da comédia (!!), Violeta (que Shakespeare chama de Viola), e que cita Flaubert e Shakespeare o tempo todo (!!!). Tem um punhado de gente que não acha a menor graça nisso, mas eu acho hilário. Tem uma hora que ele fala "longe de mim me comparar ao xixi do Proust" hauahauah
Outra coisa bem engraçada nesse narrador-papagaio é que ele está falando pra um gravador, pra um bando de jovens que o entrevista. Os jovens não aparecem, mas ele conversa com eles. Tem horas que a fita acaba e ele fica "merda, de novo essa fita acabando"
O livro do Shakespeare também é engraçado, mas a linguagem é erudita demais, aí tu perde tanto tempo tentando entender o que tá escrito que nem dá vontade de rir (embora eu tenha rido de algumas coisas - não me lembro de quais, mas eu ri). Essa edição é da década de 50, e taqui a prova, pra quem não acredita:
Foi doado em 57, pensem.
As traduções mais recentes são mais palatáveis. Me lembro um dia em que o professor de teoria tinha mandado a gente ler o Hamlet, e eu li a versão do Millôr Fernandes (recomendo essa) e uma colega minha tinha pegado uma tradução antiga (década de 50, por aí). Eu dei uma olhada no livro dela e não entendi patavinas! Shakespeare tem que ser numa linguagem de gente! O cara escrevia peças para serem representadas pra um bando de bêbados, ia ser muito erudito? Não ia.
Enfim. Achei que eu ia escrever horrores sobre os dois, mas não tenho muito o que dizer, afora que eu gostei, muito. E eu adotaria esse papagaio, de boas, só pra bater uns papos com ele.
A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
Peguei esse livro só pra poder fazer essa piada
cotação: Esse aqui tá difícil de ler
Chegou o dia da entrega e eu não terminei. Não sei se vale a pena renovar.
Peguei esse livro porque sempre tive vontade de conhecer a autora chilena (que nasceu no Peru), que é tão famosa. Peguei e comecei a ler no mesmo dia.
E o que eu achei? Viciante. Daqueles que tu simplesmente não consegue largar. Não que seja absurdamente bom, mas tem alguma coisa que prende, como o Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez. Talvez seja a linguagem (achei ambos com uma linguagem muito parecida, como se fossem escritos pelo mesmo autor).
Os dois livros têm temas bem parecidos, contando a saga de uma família ao longo do tempo. Paralelamente, os anos passam, surgem novas tecnologias, as cidades se desenvolvem, pessoas nascem, têm filhos, morrem. Também se narram vários desastres naturais, como chuvas torrenciais, secas e, no caso do A Casa dos Espíritos, um grande terremoto. Os dois até mostram uma praga de formigas. E agora me lembrei de que os dois trazem uma garota absurdamente bela, que hipnotizava os homens e era meio alheia a tudo.
No final,o livro se torna mais histórico, contando um pouco sobre o golpe e a ditadura militar no Chile. Na orelha do livro há uma citação da autora, afirmando que as informações são verídicas, resultados de reportagens que ela mesma realizou. O que me apavorou mesmo foi a semelhança do cenário político pré-golpe descrito no livro com o atual cenário político brasileiro. O mesmo terror do comunismo, o mesmo pensamento da elite e classe média, a mesma imprensa minando o governo, e até uma greve de caminhoneiros. Com a diferença de que nós, hoje, já sabemos como a história termina.
Depois desse, eu li A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, em que a personagem principal tem o mesmo problema que Alba, uma das personagens de A Casa dos Espíritos. Ambas, em momentos importantes das suas vidas, têm um sangramento vaginal intenso, que molha toda a sua roupa, chega aos pés e não quer parar. Esther, a personagem de Plath, sofre o sangramento após sua primeira vez e Alba, com o estresse de ficar sitiada pela polícia durante uma greve de estudantes. Deve ter ensaios e ensaios sobre isso por aí.
Outra coisa que me chamou a atenção é que, nos países hispanófonos, as pessoas têm o costume de repetir os nomes dos pais nos filhos. No Cem Anos de Solidão tu até se confunde, porque tu não sabe quem é quem. No A Casa dos Espíritos, quem se opõe a esse costume é Clara, que tinha o costume de anotar os acontecimentos em "cadernos de anotar a vida", dizendo que nomes repetidos causam confusão nesses cadernos. Por isso, sua filha se chama Blanca e sua neta, Alba. Ela dá um jeito de seguir a tradição sem confundir as suas anotações, usando sinônimos para nomear as crianças.
Ainda tou pensando se vale a pena pegar outro livro da autora pra ler.
Adicionem esse livro na sua lista de desejos do Skoob, se quiserem.
Eu peguei esse livro sem nunca ter ouvido falar dele, o que me fez imaginar que ele saísse um pouco do mainstream. Depois, li a orelha do livro, em que um outro escritor compara Eduardo Spohr ao Tolkien (autor do Senhor dos Anéis). Puta responsabilidade, não acham? E, a meu ver, Spohr precisa comer muito pirão com tainha pra chegar no nível do Tolkien (quem não precisa?). Continuarei falando sobre isso a seguir.
O personagem principal é Ablon, um anjo (com aparência nórdica, cavanhaque e cabelos compridos) degredado do paraíso por discordar das políticas celestes (sim, o termo usado é esse mesmo, políticas). Ele e mais dezessete renegados uniram-se contra o arcanjo Miguel, o ditador do universo após o descanso de Yahweh (Deus) no sétimo dia, após criar o universo. Miguel tem inveja e ódio da raça humana, privilegiada pelo Criador com alma e livre-arbítrio e planeja destruí-la.
A outra personagem é Shamira, uma feiticeira que conhece o segredo da vida e juventude eternas e que se apaixona pelo anjo. Ela, com sua poderosa magia, o ajuda a vencer os perigos a que é exposto, por ser um perseguido tanto pelos anjos que vivem no paraíso quanto pelos demônios.
E aí acabam os personagens do livro. Os demais são apenas figurantes, sem história ou profundidade, que chegam, cumprem a "missão" e morrem (caralho, spoilers!). Ablon acumula todas as funções do livro. Ele é o líder dos anjos renegados, o único deles que sobreviveu, o cara que sempre protegeu a humanidade, o manolo fodão que nunca se engana, aquele que sempre tem resposta pra tudo... Uma hora isso cansa.
Já que o autor foi comparado ao Tolkien, permitam-me fazer uma pequena digressão: no Senhor dos Anéis, o protagonista é o Frodo, mas o "líder" é o Aragorn, o fodão que sempre tem resposta pra tudo é o Gandalf, contam-se as histórias dos demais personagens. Pensem na importância que têm personagens secundários como Faramir e Denethor.
Quanto ao enredo: o apocalipse está próximo e o tecido da realidade está se rompendo (o tecido separa o mundo físico do espiritual). Quando o tecido enfim tiver se rompido, haverá o apocalipse e Deus acordará para separar o joio do trigo. Enquanto isso, Ablon é perseguidos pelos anjos do paraíso e fica a pergunta: por quê? E por que Miguel quer tanto que ocorra o Juízo Final, uma vez que ele foi extremamente injusto durante o seu reinado e provavelmente será o primeiro a ser condenado?
E a surpresa: as respostas colam! O livro é bem articulado e as coisas fazem sentido entre si. (Menos uma coisa, mas aí é spoiler e eu reservei pra escrever lá embaixo).
O livro é realmente um épico, com descrições detalhadas tanto de civilizações quanto de batalhas grandiosas. Ablon chega a ir para o inferno (como Ulisses, Enéias, Dante e - por que não? - Aragorn - considero a viagem que ele empreende para convencer os espectros desertores uma ida ao inferno) duas vezes! O livro também começa in media res - isto é, pela metade da história, e o começo vai sendo contado em flashback. O problema é que os flashbacks são legais, mas não têm tanta relação com a história assim.
Como todo bom épico, é uma imensa guerra do bem contra o mal. Ele termina com a batalha do Armagedon, na qual os anjos pelejam pra decidir quem vai obter o controle do universo daí por diante.
Algumas passagens lembram muito mais filmes e animes - como aquela cena clássica em que os dois oponentes se atacam e caem em pé um de costas para o outro; o herói se levanta e vai saindo; o antagonista grita "eu ainda não acabei contigo!"; o herói responde "mas eu já" e o antagonista morre/cai. Isso eu acho extremamente forçado, ainda mais num livro, em que tu podia simplesmente suprimir a luta. Isso eu considero um furo feio. Cadê o estilo? Basear-se em cenas clichês de animes é uó. (A tempo: esse episódio não é isolado).
Enfim. O livro é legal, apesar de só ter dois personagens e não ser um primor de estilo. E eu gostei do final - tirando a parte que eu disse que não fechou - que eu explico nos spoilers, a seguir.
Agora, os spoilers! Passe o mouse pra ler.
No fim do livro, Gabriel revela que Deus, na verdade, não dormiu ao fim do sexto dia. Ele dispersou sua essência (morreu) e, dessa maneira, deu alma aos homens. Eu era doida pra ver Deus acordando no final do livro! Mas enfim. O que eu queria dizer é: por que diabos Deus marcou um fim para a sua amada criação, sendo que Ele seria destruído também?
Depois do fim, em que Miguel é destruído e só sobram três anjos vivos, eles decidem "voltar" a roda do tempo. Agora, eu lhes pergunto: voltando a roda do tempo, não se voltou tudo a como tava antes? Puseram Miguel de volta do trono do universo, etc e tal? Isso ficou confuso.
Eu não li nenhum desses livros (os dois do canto eu até tentei, mas odiei) mas a foto ficou linda
Esse projeto é do grupo Blogs Rock n' Roll, do qual eu não participo, mas fiquei com vontade de responder. Esse projeto foi criado pela Jaqueline do blog 4sphyxi4,
essa linda <3 O objetivo do projeto é nos conhecermos mais pelo lado
literário.Como eu gosto muito de ler, achei que podiam ser legais as minhas respostas, vamos ver.
1. Qual seu livro favorito? Por quê?
Como eu, normalmente, não releio livros, não sei se posso dizer que tenho um livro favorito. Lembro de alguns que eu gostei pra caramba, como Borges e os Orangotangos Eternos, do Veríssimo, e Ensaio da Paixão, do Cristóvão Tezza. E lembrei agora: O Filho da Mãe, de Bernardo Guimarães.
2. Qual seu autor favorito? Por quê?
Luís Fernando Veríssimo, disparado.
3. Qual gênero literário mais lhe atrai? Por quê?
Eu normalmente me atraio pelos clássicos, porque, se for ruim, pelo menos posso falar mal de algum livro que todo o mundo vai saber qual é. hauahauha
4. Qual gênero literário não lhe atrai? Por quê?
Não gosto de best-sellers, autoajuda e poesia.
5. Qual livro você está lendo no momento?
Eu sou uma leitora compulsiva, e acabei A Batalha do Apocalipse recentemente, tão rápido que decidi ficar uns dias sem ler nada.
6. Qual livro você abandonou?
Melhor perguntar "quais". Entre eles, estão O Diário de Anne Frank e As viagens de Gulliver. Uma época eu não abandonava livros, mas cheguei à conclusão de que não vale a pena se martirizar.
O Silmarillion eu abandonei. Pretendo voltar
7. Existe um livro que marcou a sua vida? Qual?
Nunca vou me esquecer de A Pequena Sofia, que li há tanto tempo que nem sei quando foi. Quando eu era criança, eu lia muito Monteiro Lobato, mas chegou um momento que eu enjoei dele (mas acho que já tinha lido todos os livros dele). Também li QUATRO vezes a Odisséia adaptada pela Ruth Rocha.
8. Se você se tornasse um personagem de livro, qual seria? Por quê?
Acho que o personagem de livro com o qual mais me identifiquei foi uma moça de um conto do Borges. Ela, após a morte do pai, se deita com um homem qualquer e vai até o seu chefe, um cara que muito tinha prejudicado o pai dela, e o mata. Em seguida, chama a polícia e diz que o cara abusou dela e que, por isso, teve de matá-lo. Não sei porque, mas me vi no lugar da guria.
9. Você acha que sua vida daria um livro?
Seria um livro desses que o pessoal lê e chora até cair a lente de contato. Ou de superação.
10. Indique um livro.
Pode mais de um? Os Três Mosqueteiros (Dumas) que é tão legal que li em menos de três dias. O Dom Casmurro (Machado de Assis), que nunca faz mal ler. O Hamlet (Shakespeare), cujo saldo de mortes é quase o mesmo que o do Guerra dos Tronos.
Adorei responder a essa "tag" <3 Aproveitem e leiam o que as outras meninas responderam:
A Frankie pertence à Andy, mas o vestido fui eu que fiz
Depois do Drácula, eu li O Médico e o Monstro e o Frankestein, pois estavam no mesmo livro - objeto livro. Enfim. Não vou resenhar o Médico e o Monstro por razões de: preguiça, mas sobre o Frankenstein eu vou falar.
Este deve ter sido o primeiro Frankenstein com quem tive contato. Muito adorável, não?
O Frankenstein é um verdadeiro clássico do terror com direito a pitadas de ficção científica e de romantismo (romantismo como movimento literário, não no sentido de amor).
Pra começar, gostaria de salientar que Frankenstein é o criador (o cientista louco), não o monstro. Victor Frankenstein é um rapaz saudável com uma vida perfeita. Tem dois irmãos caçulas e uma "irmã" adotiva, por quem sempre foi apaixonado (uma paixão bem sem graça, diga-se de passagem). Seu pai é rico e eles vivem em uma casa de campo na Suíça, meio afastados do convívio da sociedade (leia-se sociedade como o mundo de festas e talz). Ele tem um melhor amigo, Henry Clerval, que daria a vida por ele.
Até que, um belo dia, Victor resolve fazer faculdade. Ele se apaixona pela química e se revela um estudante formidável (genial, eu diria) e fica cego pela ideia de criar um ser com vida. Durante mais de um ano, ele trabalha obstinadamente nisso, até que enfim consegue. Mas ele criou um monstro (não um bichinho bonitinho tipo o Frank ou a Frankie, de Monster High). Pra vocês terem ideia, vou transcrever aqui a parte em que ele fala do bicho:
Sua pele amarelada mal cobria o entrelaçamento dos músculos e das artérias; os cabelos eram de um negro lustroso e liso;os dentes, de perlada brancura; mas essas exuberâncias apenas serviam para formar um contraste mais medonho com seu rosto enrugado, seus lábios retilíneos e seus olhos aguados, que pareciam quase da mesma cor que as órbitas de um branco pardacento em que se encaixavam.
Sim, até o filme mais recente de Frankenstein não dá conta do quão medonho era o monstro.
O sujeito chega a ser bonitão
O mais horrível, porém, é que o monstro não era um bonecão meio dããã que vive perdendo o cérebro - como na turma da Mônica - mas um ser pensante e com sentimentos, que acaba por querer se vingar do sujeito que lhe deu a vida, e o colocou nesse mar de sofrimento, em que todas as pessoas têm pavor dele!
O monstro tem mais de dois metros de altura, realmente
E aí ele começa a matar todas as pessoas que gostam do Victor (não vou falar quais), enfiando o coitado em um mar de sofrimentos. Como é o próprio rapaz que conta a sua história, vira uma lamentação sem fim (oh, como eu sofro, cheguei ao fundo do poço de desolação e sofrimento, etc, etc). Essa parte é meio chata, o que me fez demorar eras pra terminar de ler.
A leitura do livro me fez lembrar das tragédias gregas, em que o herói se ferrava totalmente e não tinha vilão. Ou seja, todo o mundo era inocente até um certo ponto, mas tinha feito coisas que, de alguma maneira, justificavam as merdas que aconteceram com ele. Por exemplo, Édipo, cujo crime foi matar o pai. Ele foi criado longe dos pais biológicos e, quando descobriu que estava fadado a matar o próprio pai, fugiu de casa (pois ele não sabia que era adotado) e, por isso, acabou matando o pai biológico e, em seguida, casou-se com a mãe (sem saber disso). Ele é inocente e culpado ao mesmo tempo. Culpado por ter feito o que estava predestinado a fazer. Como culpar uma pessoa que não teve escolha?
O Victor e o monstro ficam nessa. O cientista não fez nada de mau: foi atrás do seu objetivo de desenvolver a ciência. O problema é que ele dirigiu sua ambição para um lado sacrílego (ou ímpio, como ele chama no livro), ou, como era comum nas tragédias gregas - enfrentou os deuses. O monstro foi jogado em um mundo que o odiava justamente por ele ser o que ele era e só lhe restou vingar-se de quem o jogou nesse mundo.
Vou rir eternamente do "o que mais te irrita"
E ela é filha do monstro, não do médico (rs)
Mas enfim. O Doutor Frankenstein não fala a épica frase "Está vivo!mwahahaha", porque ele não é um cientista louco como normalmente mostram nos filmes. Ele está mais para um cientista obcecado (como alguns professores universitários que conheci). Quem já fez tcc entende o cara (acho que é por isso que temos o orientador, uma pessoa de fora que pode parar o estudante antes de ele fazer alguma grandiosa merda). Quando ele terminou o serviço, e caiu a ficha, ele viu que tinha criado um monstro. (Eu senti um pouco isso no meu tcc).
Outra coisa que as fotos da Frankie me lembraram: o monstro não ganhou vida por uma descarga fortíssima de eletricidade. Na verdade, o dr. Frankenstein não diz como ele fez isso, para não incentivar outros imbecis a seguirem o mesmo caminho dele, de criar um monstro que destruísse sua vida.
Enfim. O livro é mesmo digno de ser chamado de clássico, pois a moça (Mary Shelley) inventou tudo (não foi como no Drácula, em que o mito do vampiro já existia e o Bram Stoker só imortalizou). Ele também é um pioneiro de ficção científica e praticamente um manual de ultrarromantismo (eu fui lendo e me lembrando das características do movimento. Se um dia eu for dar aulas sobre o romantismo, vou levar o Frankenstein pros meus alunos).
Resumo da ópera: leiam. Não achei tão grudativo como o Drácula, mas ele é, sem dúvida, muito superior, tanto em termos de enredo, narrativa, construção e o próprio terror, em si, é muito mais inteligente.
Ainda hoje a Andy me avisou que minha resenha do Drácula tem horrores de spoilers. E aí eu pensei: "como falar do livro sem dar spoilers?" Na real, sempre pensei isso. Se vocês lerem essa resenha aqui, de Lolita (do Vladimir Nabokov), vão ver que ela começa assim:
E depois de relutar, pensar, repensar, esperar e tantas outras coisas
terminadas em "ar", enfim eu li Lolita. Sim, senhoras e senhores, eu tô
falando daquele livro super polêmico que causa confusão, discordâncias,
divergências e "tretas" entre os leitores e os críticos a séculos. De
autoria de Vladimir Nabokov, Lolita tem como protagonista Humbert
Humbert, um homem de mais ou menos quarenta anos, que se apaixona por
uma garota de doze anos. (grifo meu)
Isso é spoiler! Ele só conhece a Lolita lá pela metade do livro! Antes disso, acontecem um monte de coisas que não têm nenhuma relação com ela (e durante as quais a menina nem tinha nascido). Mas simplesmente não dá pra falar do livro sem dizer isso, principalmente porque o livro fala sobre isso. Essa é a história dele. O que acontece antes é uma espécie de prólogo e, na minha opinião, sua função é apresentar o protagonista e mostrar claramente o quanto ele é louco. E ninguém conta que o Humbert Humbert morre na prisão, coisa que acontece nas primeiras páginas do livro.
Pronto, acabei com o livro. sqn
Eu não acho que spoilers prejudiquem tanto assim a leitura de um livro. Inclusive, aconteceu comigo um episódio que acho que vale a pena relatar. Quando eu era caloura (e lá se vão anos), uma amiga minha ganhou um monte de livros, entre eles A Metamorfose, do Kafka. Ela leu e adorou. E foi me contar, empolgada, sobre o bendito livro. Lá pelas tantas, ela disse "ah, queria falar sobre o final, mas não quero te dar spoilers" e eu disse "pode falar, não pretendo ler esse livro tão cedo". E ela me contou que, no final do livro, o Gregor . Ela estava super decepcionada com esse final. Enfim. Aconteceu que, não muito depois, o nosso professor de teoria literária mandou ler o livro. Ela ficou super mal por ter me contado o final. E eu "dá nada". Li o livro. Não foi com aqueeeela empolgação (Kafka não é exatamente empolgante, ainda mais contando a história de um sujeito que foi transformado em um "monstruoso inseto". Na real, isso poderia virar um livro medonho de terror, contanto que fosse escrito por alguém que tivesse essa intenção). No fim das contas, gostei do livro. Não fiquei decepcionada com o final (inclusive achei que fazia sentido). Um dia falo mais sobre A Metamorfose (evitando spoilers).
A minha teoria disso tudo é que um livro bom não perde nada ao se saber o final. Eu não leio livros pra saber o final (muita gente deve ler, sei lá). Gosto do ato de ler. Muitas vezes me contam o final de alguma coisa, tipo sei lá, um spoiler da Bíblia (tou evitando encher esse texto de spoilers rs): "Jesus morre" e aí eu vou ler não pra saber que Jesus morre, mas pra saber como e porque ele morre. E, enquanto eu estou lendo a Bíblia, fico pensando "mas, meu Deus, o que vai acontecer pra dar uma reviravolta tão grande e o manolo morrer?". É bem divertido quando acontece isso. Claro, na Bíblia não, até porque todo o mundo conhece a história.
Outra coisa em relação a spoilers que também me vem à cabeça é, ao ler o livro, tu vai assistir ao filme já sabendo de tudo o que vai acontecer (menos no Hobbit, porque incluíram um punhado de coisas que não existiam no livro) ou de quase tudo, já que 100% fiel não tem como ser. Nesse caso, por que veríamos o filme depois de ler o livro? E olhem que eu terminei Os Três Mosqueteiros louca para ver um filme sobre. Dom Quixote também deu vontade, só que esse eu acho que merecia um seriado, pra poder aparecer tudo o que acontece no livro, e não só a cena dos moinhos de vento que viram gigantes.
eu ri
Às vezes parece que dar spoiler é só dizer "quem morre". Mas não é assim. Pensem na galera que leu Game of Thrones e assiste ao seriado. Se fosse só "quem morre", o seriado não ia ter a menor graça pra esse povo.
De qualquer maneira, por esses dois motivos (não sei falar do livro sem dar spoilers e acredito que spoilers não afetam a leitura), vou continuar fazendo as minhas resenhas do mesmo jeito. A menos que eu aprenda a fazer de outro.
Foto roubada do blog da Andy, porque as fotos que eu tirei sumiram
Essa foto eu postei no Instagram logo que acabei o livro
Essa foi a mais fácil das minhas
metas para fevereiro. Afinal, eu sou uma leitora compulsiva (tanto que
concluí a meta antes do dia 5.)
Depois
de ter assistido a três filmes sobre vampiros em sequência, me resolvi a
ler o Drácula, para conhecer o mito que o imortalizou (na real, isso
soa estranho. Se o Bram Stoker imortalizou o Drácula, isso quer dizer
que ele mordeu o Drácula?)
O livro pertence à Andy, que o resenhou em dois posts: aqui e aqui.
Enfim.
O livro é legal. Não sei se eu o classificaria como livro de terror,
pois aparecem vários gêneros no decorrer da história. No começo, quando
Jonathan Harker está preso no castelo do vampiro, com três vampiras
doidas pra sugar o sangue dele, é realmente bem terrorífico. Depois, ele
volta para Londres e o livro se torna uma investigação, em que eles
tentam descobrir quais são os planos do vampiro para poder acabar com
ele. Por último, vem a ação! Lutam contra o Drácula, contra os ciganos
que o ajudavam, perseguem eles...
O
livro não tem um narrador principal. A história é contada do ponto de
vista dos personagens, por meio de seus diários e também por algumas
colagens de jornais. O mais interessante dessas colagens é que os trechos (que deveriam ser recortados dos jornais) têm um estilo muito mais literário que jornalístico, falando sobre o sol, nuvens e outras coisas do tipo. Fiquei pensando se, nos jornais da época, realmente se escrevia assim ou se o autor não tinha a menor noção de gêneros jornalístico ou se isso foi uma opção que ele fez, porque o estilo literário descreveria melhor a situação. O Médico e o Monstro, que eu li depois, faz a mesma coisa. São dois livros parecidos, nesse sentido, pois o segundo também traz recortes de jornais e cartas dos personagens, com a diferença de que este tem um narrador onisciente na maior parte do tempo.
Outra coisa que eu achei engraçada foi que o Drácula vai para Londres (ele precisa transportar terra do túmulo dele pra poder ir pra lá e, pra isso, compra várias casas na cidade e distribui 50 caixas contendo barro fedorento por elas) e morde Lucy e Mina, as duas minas que aparecem no livro. Lucy acaba morrendo, e virando uma vampira. Após isso, ela morde uma criança por noite (as crianças não morrem - Van Helsing explica isso porque ela ainda era jovem como não-morta e não sabia como sugar sangue suficiente). Tem uma cena em que o Drácula dá uma bela secada numa moça. Agora, eu lhes pergunto: ele só mordeu as duas nesse período em Londres (que parece ser muito tempo)? Ele chega a rejuvenescer, de tanto que come. Deve ter matado (transformado em vampiro) uma galera! Isso seria suficiente pra começar o apocalipse vampiro em Londres!
(Ao contrário das outras ficções sobre vampiros, não existe um ritual para transformar alguém em vampiro. É só o sujeito morrer após ser mordido, e pronto!)
Outro detalhe que eu nunca vi em lugar nenhum sobre vampiros: o Drácula só pode entrar em algum lugar, pela primeira vez, se for convidado. Depois, ele tem passe livre na casa. Agora, a pergunta que não quer calar é: como diabos ele conseguiu entrar na casa de Lucy para mordê-la se não tinha sido convidado?
Além disso, tem uma cena em que o Drácula não só sai durante o dia como fica pirulitando por aí! Diz-se apenas que ele não tem poderes durante o dia - como controlar animais da noite (morcegos, lobos, ratos e outros bichinhos fofos); transformar-se em morcego; entrar em lugares minúsculos; criar névoas e tempestade; hipnotizar pessoas e por aí vai.
E a parte sobre não aparecer em espelhos realmente tem no livro.
E o Van Helsing? Não, ele não é um vampiro que caça vampiros. É um velhinho professor universitário, doutor em umas dez mil coisas (hoje em dia isso seria impossível, mas, no século XIX...) e com um pensamento livre (disposto a acreditar em qualquer coisa, inclusive vampiros). Fiquei imaginando eu chamar meu orientador (socorro, professor, meu namorado está morrendo) e ele aparecer sugerindo que eu doe sangue pra ele e fazendo um colar de flores de alho pro bofe. Ia ser bizarro, principalmente porque meu orientador é professor de latim.
Não, Van Helsing não é gato assim no livro
Nem um vampiro que caça vampiros, como o Allucard
A Lucy, que virou vampira, antes de morrer, recebeu, além do colar de flores, sangue de quatro caras diferentes (entre eles, três que haviam lhe feito pedidos de casamento e o professor Van Helsing). Os pretendentes de Lucy uniram-se a Jonathan e Mina na batalha contra o Drácula (nessas horas que é bom ser gostosa - se os caras não estivessem apaixonados pela Lucy, não iam ajudar)
Tem também a história do louco que capturou e criou aranhas, alimentando-as com moscas. Em seguida, começou a catar pardais para alimentá-los com as aranhas criadas. Depois, queria um gato. Ele pensava que, dessa maneira, podia ter uma vida eterna (como os vampiros). O sujeito acaba virando uma espécie de escravo do Drácula.
Draculaura ficou chocada com o final do livro
Concluindo: o livro é legal (nem as partes em que o Van Helsing dá uma de padre, falando sobre salvar a alma e panz estragam o livro) e vale muito a pena ler. Fora que um clássico é sempre um clássico.
Parte dois: os filmes que eu vi.
Eu disse que eram três filmes, não disse? Vou falar um cadinho de cada um deles.
Primeiro filme: O Castelo do Medo
Assisti na Sessão da Tarde. Acho que nem preciso falar mais nada, né? Mas vou. É um filme estilo Disney, de dois irmãos que acabam se envolvendo com lobisomens e vampiros numa casa assombrada, herança de um tio da falecida mãe deles. O filme é bobo, zoado e sem noção, mas é divertido. Dá pra sentar na frente da tv e dar umas risadas - na real, nem é muito engraçado, mas dá pra desligar o cérebro.
Assistam online aqui. Ou esperem passar de novo na sessão da tarde, não deve demorar.
Conta a história de um escritor de romances de terror de quinta categoria que acaba se envolvendo com a investigação do assassinato de uma garota. Confesso que não entendi bem o roteiro ou ele simplesmente é uma bosta completa. Leiam um pouco aqui.
Não o recomendo pra ninguém (o Castelo do Medo é mais divertido).
Confesso, também, que os anos estudando teoria literária me deixaram meio paranóica. Se eu não entendo porra nenhuma de alguma coisa (filme, livro, ensaio, texto) eu fico imaginando se aquilo não é uma obra genial cujo sentido é etéreo demais pra eu perceber (ou eu sou burra demais. Eu sempre ficava com essa impressão ao ler textos críticos acadêmicos)
Terceiro filme: Entrevista com o Vampiro
Da famosíssima Anne Rice, de quem já li uma trilogia (falo um pouco dela aqui). As minhas críticas ao filme são basicamente as mesmas do livro. Tu termina tipo "e daí?" e ele traz violência e sensualidade gratuitas e desnecessárias. Uma espécie de Crepúsculo sem história (seria isso um pleonasmo?). Além disso, no filme, contrariam-se vários "tabus" sobre os vampiros, se levarmos em conta o livro do Bram Stoker. Eles viajam pelo mundo (sem carregar caixas com terra de seus túmulos); sequer são enterrados; aparecem em espelhos; morrem no contato com o sol e por aí vai.
Enfim. Achei um pouco melhor que o Virgínia, mas é um filme gratuito. Vale pelo Brad Pitt de cabelo comprido.
Ivanhoé foi um livro que conheci em um dos meus estágios: o professor regente da turma o estava lendo, e falou sobre ele aos alunos. Fiquei interessada, pois ele disse tratar-se de um livro de cavaleiros, que serviu de inspiração ao Alexandre Dumas e no qual aparecia queima de bruxas, assunto que me interessa muito.
O fato é que eu não pude deixar de compará-lo aos Três Mosqueteiros e ao Dom Quixote, que ainda não tive tempo de resenhar aqui e do qual vou falar prodigamente nesse post.
Dom Quixote, despido das 680 páginas recheadas de proparoxítonas, latins e de uma sintaxe complicada, é, basicamente um desenvolvimento da ideia de que videogames deixam os jovens violentos. Explico. Dom Quixote é, na verdade, Alonso Quijana, que ficou doido de tanto ler livros de cavalaria e que resolveu se tornar um cavaleiro andante! Madame Bovary, de Flaubert - que abandonei- , também começou a trair o marido por sugestão dos livros românticos que lia. Nenhum dos adultos que repreendem os jovens por jogarem videogames ousaria, por um minuto, proibi-los de ler livros, como fizeram os amigos do Quixote, emparedando-lhe a biblioteca e queimando seus preciosos volumes - morri de pena nesse episódio. Mas, segundo penso, se videogames violentos são nocivos, livros, filmes, músicas e histórias (aqui inclusas as histórias da aula de história, cheias de guerras e de fome) também o são.
Eu, apesar de não jogar videogame nem ser chegada em filmes violentos, repudio totalmente essa ideia. Se um cara que assassinou a própria mãe tiver um exemplar de O Estrangeiro, de Albert Camus, na sua estante, o culpado do crime seria o livro? Evidente que não.
De qualquer maneira, Dom Quixote é muito mais do que isso. É uma paródia dos romances de cavalaria, tão comuns na época. Assim, Quixote se comporta de uma maneira.... Quixotesca, pagando de defensor dos fracos e oprimidos o tempo inteiro! Ele imagina que cada moça que passa diante dele é uma donzela indefesa precisando de ajuda, que um cortejo fúnebre é um homem sendo levado prisioneiro por malfeitores e por aí vai. Adianto que o episódio dos moinhos de vento sendo confundidos com gigantes é a mais sem graça das (des)aventuras do nobre cavaleiro.
O livro inteiro é um profundo sarcasmo com todos esses modos de cavaleiros que saem à cata de aventuras. Ainda lembro dele quando ouço Rhapsody, minha banda favorita, falando de dragões e feiticeiros.
E agora pensem como fiquei lendo Ivanhoé, cujo cerne é justamente o que Cervantes satiriza! (eu ri demais, ainda mais no começo do livro)
Pra vocês terem noção, Ivanhoé é um jovem cavaleiro, que acabou de voltar das Cruzadas na Terra Santa, onde esteve acompanhando Ricardo Coração-de-Leão e mais cinco nobérrimos cavaleiros, onde se mostrou extremamente valoroso. Tem uma moça órfã, Lady Rowena, que foi criada pelo pai dele, que é apaixonada por ele (e vice-versa). Aqui tem uma descrição da moça, pra vocês terem uma noção:
Traçando o prometido paralelo com o Dom Quixote, lembro a famosa Dulcinéia, inventada pelo Quixote para ser o objeto dos seus amores. Sim, ela foi inventada. O cavaleiro ouvira falar de uma donzela que parecia ser adequada e que morava na vila vizinha (El Toboso) e, baseado nisso, inventou a Dulcinéia.
Quando foram procurar por Dulcinéia, Sancho disse que ela havia sido transformada em uma lavradeira feia e que fedia a alho por um feiticeiro que odiava o Cavaleiro da Triste Figura.
Em seguida, acontece um torneio, que é vencido... adivinhem por quem? Exatamente!
Apelão é pouco pra esse cara
Quixote apanha horrores durante o livro, mas também vence algumas batalhas (!!!). Quando apanha ou é vencido, põe a culpa em feiticeiros e nigromantes que o teriam enfeitiçado.
Pra quem conseguir sobreviver ao torneio (até o fim deste, o livro é chato pra caramba), vão aparecer o bando de Robin Hood, um cavaleiro negro misterioso (só que não, qualquer um que ler o livro vai adivinhar facilmente quem é) que eu achei simplesmente o máximo (e o maior gato), um rival amoroso pro Ivanhoé, que também podia passar por irmão dele e o grande vilão do livro, um cavaleiro templário que faz coisas como raptar a mocinha, duelar com o Ivanhoé, etc, etc, etc. e a formosa judia Rebeca, que simplesmente samba na cara do recalque de todos os marmanjos metidos a foda do livro. E adivinhem por quem ela se apaixona? Cês tão bem hoje, hein?
Pra dar uma noçãozinha do quão foda é a moça, eu fotografei umas passagens do livro que falam dela:
Ela realmente se mataria pra salvar essa galera. Ameaçou se matar quando o templário quis estuprar ela.
O velho bem que fazia de aceitar os conselhos da moça, ela era muito mais sensata que ele
Fiquei torcendo pra ela ficar com o Athelsthane, o amigo-irmão-rival do Ivanhoé, que inclusive tomou um ruidoso fora da Rowena (o Athelsthane que levou o fora) e que é responsável pela maior surpresa do livro (não vou colocar aqui pra não ter que pôr o aviso de spoilers lá em cima). Mas aí eu me lembrei que a Rebeca era judia e aí fiquei torcendo pra aparecer algo como "Rebeca se tornou a maior médica de que se teve notícia em muitos anos". Não aparece.
No Dom Quixote, tem uma guria que é quase tão foda quanto a Rebeca. É uma moça que tentam estuprar, mas ela simplesmente joga o sujeito dum precipício (!!!). Ela aceita ajudar os amigos do Quixote a levá-lo para casa, fingindo ser uma princesa que precisava de ajuda para retomar o seu reino.
O Ivanhoé, além de tudo isso, traz uma pretensa guerra civil, em que normandos (de origem francesa) e saxões (os ingleses propriamente ditos) se odeiam e cada qual deseja tomar o poder nessa Inglaterra medieval. Cédric, pai de Ivanhoé, é um dos saxões entusiasta de uma Inglaterra saxônia.
Enfim. O livro é cheio de obviedades, tanto que normalmente eu dizia "quer ver como o cavaleiro negro é o....?" e era. Nesse ponto, os Três Mosqueteiros é muito mais surpreendente, embora o D'Artagnan seja quase tão apelão e tão abençoado pelo protagonismo quanto o Ivanhoé.
Ainda sobre o Quixote: o livro é bem mais profundo. Traz uma interessante discussão sobre sanidade e loucura: quem seria o são? O pobre Quixote ou aqueles que vivem a fazer troça dele? Normalmente, o cavaleiro andante demonstra muito siso em seus discursos e conselhos, tanto que os demais personagens lamentam que um sujeito tão inteligente esteja louco. No final do livro, aparece um casal de duques, que começa a tratá-lo como um verdadeiro cavaleiro, só pra tirar uma da cara dele. É um pouco parecido com a galera que morre de rir dessas pegadinhas ridículas da TV.
* a comédia e a tragédia se entrelaçando com maestria. Afinal, existe algo mais engraçado e trágico do que um sujeito louco que tenta ajudar todo o mundo, com a melhor das intenções? Um dos episódios mais hilários do livro é um em que o Quixote resolve fazer penitência, ficando pelado em um bosque e fazendo malabarismos e cabriolas até que a Dulcinéia se digne a responder uma carta dele.
*o Sancho Pança, que não se sabe se é louco ou só crédulo (ele não é o sensato que sempre pintam. Acredita em tudo que o Quixote fala.) Ao mesmo tempo, é um pobre coitado que apanha mais do que o Quixote, sem deixar de segui-lo nem de ser fiel a ele.
*o sonho do pobre Sancho era ser governador de uma ilha, e ele consegue, graças ao duque, que resolveu lhe "emprestar" uma região, para zoá-lo. Antes de o Sancho partir, Quixote lhe dá várias lições de política, para que ele seja um bom governador. O escudeiro, inclusive, resolve o problema do sujeito que disse que ia ser executado. O negócio era o seguinte: um rei determinou que, na ponte de entrada do seu reino, instalassem uma forca e enforcassem quem mentisse. Um homem passou pelos guardas, indo na direção da forca. Os guardas lhe perguntaram o que ele estava fazendo. "Vou ser enforcado", respondeu. Os guardas não entenderam nada. O sujeito continuou "se eu estiver mentindo, podem me enforcar". Acontece que, se o enforcassem, ele teria falado a verdade e não poderia ser enforcado! Se não o enforcassem, ele teria mentido, e teria de ser enforcado!
Travou, né? Pois o Sancho burro resolve isso facim facim, graças aos conselhos do seu amo.
E aqui um trecho do Ivanhoé que eu TIVE que selecionar:
Eu conheço o Ricardo III. Li o livro do Shakespeare rs
Agora, a sonzeira nessa poha!
Dom Quixote - Engenheiros do Hawaii
Destaco aqui o trecho
"Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas"
Que faz alusão à famosa passagem do livro, em que o Cavaleiro da Triste Figura confunde moinhos de vento com gigantes (não, não são dragões) e ao fato de que ele se achava O cara que ia resgatar a cavalaria andante, que andava em decadência (a cavalaria andante que andava ba-dum-tss).
E ainda acho que ficaria mais fiel ao livro se o Humberto cantasse "por amor às calças perdidas".
Capa maravilhosa <3
La Leyenda de La Mancha - Mägo de Oz
Baixei hoje pra ouvir, outra hora falo sobre ele (senão o post não sai). Tem aqui.