Poucos contos e alguns trocados.

domingo, 17 de abril de 2016

Fobias

Hoje eu vou fazer um post bem pessoal.

Existe uma coisa da qual eu tenho pavor. Homem gritando. Eu não posso ouvir um homem falar mais alto na rua que eu quero sair correndo e me esconder num abrigo anti-bomba. Mas não é qualquer homem. Vou explicar direitinho pra vocês.

Sabe aqueles funks bem "casqueiros" em que um sujeito berra canta coisas obscenas e que normalmente é tocado em carros pretos rebaixados com uma película petróleo-escuro nos vidros? (por que carros rebaixados normalmente são pretos?) Parece que todos os mcs homens têm exatamente a mesma voz e cantam exatamente do mesmo jeito, meio gritado, uma voz aguda e "suja". É daquele tom de voz masculino que eu tenho pavor.

Claro que provavelmente esse parágrafo está incrustado de preconceitos, mas são assim todos os funks que eu já ouvi. E todos eles me causam essa mesma sensação de desespero. 

Obviamente não são somente funks cantados por MCs masculinos que me causam essa sensação. Qualquer homem que tenha uma voz parecida com as dos tais MCs me causa a mesma coisa. Um dia, eu estava voltando pra casa da costura e tinha três rapazes com roupas de operários caminhando juntos e conversando. Eu, obviamente, não dei a menor bola, porque né, coisa mais normal do mundo três homens caminhando e conversando - principalmente naqueles trajes, já que tem uma construção lá perto. Lá pelas tantas, um deles falou mais alto e eu quase saí correndo, por causa da voz dele. Outro respondeu mais ou menos no mesmo tom - eles não estavam brigando, pareciam empolgados - e eu fiquei mais tranquila, porque ele tinha uma voz normal, mais grave (o negro, os outros dois eram brancos e eu simplesmente não consegui identificar qual dos dois brancos tinha a voz que me apavorou).

Explicado o fenômeno, agora vou tentar explicar o porquê.

Quando eu estava mais ou menos na terceira série, tinha uns vizinhos de rua que eram pessoas absolutamente detestáveis. Vendiam drogas, ameaçavam e roubavam os outros vizinhos, brigavam na rua, faziam escândalos no meio da noite, entre outras coisas. Era uma família enorme, que se agrupava em torno de um senhor de idade que mora lá até hoje. Um dos muitos netos desse senhor era um rapaz vários anos mais velho que eu que estudava na minha sala - este é um dos motivos pelo qual eu não sou contra a aprovação automática de alunos-problema. 

O tal do piá era uma verdadeira praga - em todos os sentidos - que me fez muito mal. Não só a mim, obviamente, mas eu só sei do que ele fez pra mim. E ele tinha a voz maldita que me apavora. Eu digo tinha porque ele já morreu. Foi morto por outros bandidos. (Na verdade, soube de outros colegas daquela época que estão mortos ou presos - eu não morava num lugar muito fofo, como vocês podem ver). Quando minha mãe soube disso, ela ficou horrorizada. Eu não. Não cheguei a dizer "graças a Deus" ou a ficar feliz, porque ele já tinha sumido da minha vida havia anos. Mas não fiquei nem surpresa. Eu só disse "colheu o que plantou" o que, no fim das contas, não é mentira. 

Claro que, se ele tivesse morrido naquela época, há uns 15 anos atrás, eu teria, realmente, dado graças a Deus. Do tipo "já foi tarde".

Outras coisas daquela época me marcavam. Até hoje eu tenho vontade de encher de porrada quem fala para meninas que, quando um garoto lhe faz mal, é porque gosta dela, ou de gente que "shippa" a Mônica e o Cebolinha. Porque o que eu mais ouvi naquela época era que o tal piá - que me fez muito mal, inclusive ameaças de morte - gostava de mim. Isso me provocava verdadeiro terror. Hoje eu sei que é só uma desculpa estapafúrdia dos adultos para não precisarem tomar uma atitude em casos de bullying - sim, é um atestado de incompetência dos responsáveis (justamente as pessoas que falam - e se orgulham - de terem sido educadas na base da porrada). Hoje eu também sei que eu sou livre pra dizer não a qualquer pessoa que eu não goste que tenha a audácia de querer alguma coisa romântica comigo.

Esse tipo de post me faz muito bem

Nota pra quem não é do sul: piá significa "menino" e não tem nenhum significado pejorativo. "Piazada" é o mesmo que "garotada". O "feminino" de piá é guria. Eu nunca vi ninguém usar essa palavra no plural, somente em construções do tipo "os piá são..."

A segunda coisa que ainda me assusta um pouco é uma que me disseram poucas vezes mas, como eu ouvi da minha mãe e da professora da escolinha do Centro Espírita (e esse é um dos motivos pelos quais eu fugi do Centro na primeira oportunidade), me marcou ainda mais que a outra. Ela dizia algo como pessoas que não conseguem se reconciliar durante uma vida normalmente nascem muito próximas na vida seguinte, como irmãos ou algo do tipo. Façam, agora, um exercício de empatia. Como deve se sentir uma pessoa que foi humilhada, perseguida, maltratada, chantageada de ter que conviver proximamente com o seu agressor numa possível vida futura? Se Deus existe, e permite esse tipo de coisa, Ele é um sádico que se diverte em ver as pessoas sofrerem, e não um pai amoroso como a maioria dos espíritas prega. (Por isso que eu prefiro o judaísmo antigo, que assume que Deus é um carrasco e que o melhor a fazer é ter medo dEle. É mais coerente). Enfim, tenho várias críticas ao espiritismo, e a maioria delas é mais com relação às besteiras que palestrantes e frequentadores falam do que à doutrina (escrita por Kardec) em si. Mas isso é assunto pra outro post.

Acho que é isso. Queria dizer que eu sei que ele tinha motivos para ser do jeito que era.  Uma família problemática, numa situação de risco social... Mas vai explicar isso pro meu subconsciente, vai.










quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sobre segundas-feiras



Essas duas músicas dos Engenheiros do Hawaii eu acho simplesmente geniais. O instrumental é um espetáculo à parte, mas primeiro eu quero falar das letras.

Eu acho a primeira música melhor, pela própria combinação entre o instrumental (que é a maior diferença entre elas) e a letra, que fala sobre uma segunda-feira figurada, a segunda-feira da história, em que todas as (antigas) utopias de como se deveria fazer um mundo melhor (as festas e os lazeres do fim de semana) acabaram ou perderam o sentido.

(Atenção: eu disse todas as utopias. Nem o cristianismo escapa da "crítica": "onde estão os caras que pregavam no deserto? o deserto continua lá...")

Os lazeres do final de semana acabam e dão lugar à modorrenta, tediosa e depressiva segunda-feira.

Quem nunca se sentiu entediado e preguiçoso numa segunda-feira que atire a primeira pedra. E isso não significa que tu sejas um vagabundo que não gosta de trabalhar. Aliás, mesmo que tu não goste de trabalhar, não há nada de errado nisso, afinal não prejudica ninguém não gostar ou não querer trabalhar.


Voltando ao assunto, eu tinha concluído que vivemos uma espécie de segunda-feira das utopias, onde nada mais faz sentido (pensem na própria pós-modernidade).

Pra quem não entende o que é a pós modernidade, pensem que até a Segunda Guerra Mundial (principalmente) o pensamento dominante era o positivismo, que acreditava que a humanidade ia evoluir, evoluir, evoluir, tanto em termos de tecnologia quanto em sociedade. E depois houve a Guerra. Onde seres humanos altamente evoluídos tecnologicamente foram capazes das maiores atrocidades, como Auschwitz e Hiroshima. E se jogou a derradeira pá de cal sobre o positivismo.

Obs: Machado de Assis já criticava o positivismo, leiam O Alienista.

Obs 2: A teoria Marxista é considerada moderna, pois considera uma linearidade temporal (o tempo como uma evolução, na ordem: sociedade capitalista, revolução, socialismo, comunismo e todos felizes).

A Pós-Modernidade é um gigantesco balaio de gatos, mas ela, basicamente, questiona os parâmetros anteriores e os relativiza. Como um exemplo bem claro, temos as teorias feministas. As teorias modernas tomam "mulher" como um conceito claro e explícito, no sentido de fêmeas humanas, nascidas com vagina. As teorias pós-modernas usam um conceito um tanto nebuloso como a autoafirmação - portanto pessoas designadas como homens pela sociedade podem ser mulheres. Leia um pouco mais sobre isso aqui.
Outro exemplo: arte, para a pós-modernidade, pode ser qualquer coisa.


 A verdade é que eu estava enganada. Basta rolar a timeline do Facebook e ver a quantidade de caras que acenam com a mão invisível um mercado para todos nós e de caras que lutam no dia-a-dia sem perder a ternura jamais.  (sobre isso, recomendo a página Anarcomiguxos, em que esses dois tipos de caras se digladiam diariamente nos comentários). Ah, sim, tem os caras que pregam no deserto também.

Observação: a Andy comentou que todos esses caras são como os comentaristas políticos ou de futebol, que sabem tudo que deve ser feito - de fora - mas na hora H em que eles devem fazer alguma coisa, não fazem nada. O Veríssimo tem uma crônica incrível sobre isso, chamada Salvação, no livro Comédias da Vida Pública, publicado em 1995, pela LePM. Nela, Sarney (o então presidente do Brasil) recebe uma ligação de Deus, que quer aconselhá-lo sobre como contornar a crise no nosso país (sim, galera, não foi o PT que inventou as crises não, elas são muito, mas muito antigas). A crônica diz o seguinte:

E, seguindo o plano de Deus, Sarney convidou o Delfim para o Ministério da Fazenda, para consternação geral. E Funaro e Sayad, afastados de seus cargos, passaram a escrever artigos sobre economia nos jornais. E como todos os economistas, quando não estão no governo e sim escrevendo nos jornais, têm todas as respostas e soluções para os problemas do país, bastou ao Sarney fazer o que seus ex-ministros escreviam, em vez do que o Delfim (de volta ao governo e portanto sem saber o que fazer) mandava, para que tudo começasse a dar certo. E Sarney deu graças a Deus. (p. 183, negrito meu)

Autoexplicativa, eu acho. Outro bom exemplo é o Neto Corintiano, comentarista futebolístico da Band. Ele sempre sabe tudo que deve ser feito pra que determinado time (normalmente o Corínthians) ganhe o jogo. Mas virar técnico de futebol que é bom nada, né?

Depois desse auê todo, eu desisti da minha ideia. Não estamos vivendo uma grande segunda-feira. Mas a sensação de segunda-feira permanecia. E foi aí que eu concluí o óbvio. EU estou vivendo uma segunda-feira, por isso EU  tenho a sensação de segunda-feira eterna. (Lembrando que vemos o mundo do nosso ponto de vista).

E de onde vem essa sensação? Bom, eu tenho depressão. E eu, até agora, não vi metáfora melhor pra depressão que uma eterna segunda-feira. Sabe aquele dia que nada empolga, que você está entediado e cansado e que o mundo parece não girar? Então. E não é simplesmente "reagir", "ter fé em Deus" ou sei lá mais quê que gostem de recomendar. Ou pra quem acha que é: faz isso pra ficar alegre e empolgado numa segunda-feira chuvosa e fria. 

Enfim. Conversei um pouco com a minha psicóloga sobre isso e ela achou que tinha a ver com o meu desgosto com o trabalho (do qual vou sair o quanto antes), mas eu acho que é um pouco mais profunda a coisa, pois essa sensação de segunda-feira no ar (em relação a política, religião, futebol, academia, literatura, música e tudo o mais) já está presente faz um bom tempo, tanto que, quando eu pensei pela primeira vez na ideia de estarmos vivendo uma segunda-feira da história, eu ainda estava na faculdade.

Enfim, acho que é isso. A pergunta que eu queria fazer não pode ser "quem aí também odeia a segunda-feira" mas é a seguinte "como tornar a segunda mais suportável?"

Fica o questionamento. Talvez, um dia, eu traga algumas respostas. 


quarta-feira, 30 de março de 2016

Wishlist

Resolvi fazer uma wishlist pra dar ideia pra quem quiser me dar presentes nesse meu aniversário. Claro que a maioria eu mesma vou comprar, mas enfim.


1. CD Power of Dragonflame - Rhapsody

Ele é o último que falta pra eu completar minha coleção (o último, Into The Legend, eu não pretendo comprar, porque não gostei tanto assim - mas, se alguém quiser me dar, não só vou aceitar como vou ficar muito feliz =D). Mas, com relação ao Power of Dragonflame: além de ser um disco épico, sua capa está estampada na primeira camiseta do RoF que eu comprei. Portanto....



2. Gramática Metódica da Língua Portuguesa - Napoleão Mendes de Almeida

Achei que ia parar de usar ela depois do fim do meu TCC, mas ainda hoje senti falta de uma gramática boa, bem detalhada e explicadinha. Apesar de que eu já tenho uma que roubei do meu pai (a Novíssima Gramática do Cegalla) e a gramática ilustrada do Sacconi - inclusive, a segunda traz uma frase que me deixou em dúvida que eu não consegui solucionar.

3. Um notebook novo

O meu já tem uns bons aninhos (uns seis, eu acho) e tá meio que na hora de trocar ele, porque anda numa lentidão e travando toda hora (talvez uma formatação resolvesse, mas eu não tenho a menor ideia de um lugar confiável pra fazer isso).

4. Um celular novo

O meu, de novo, já tem uns bons aninhos (perto de 3 ou 4) e ele está numa situação mais lamentável que o computador. Já fiz formatação (Hard Reset) nele, e deu uma resolvida, mas os problemas já voltaram todos. Não tenho preferência por marca/modelo/cor, contanto que toque música e acesse à internet.



5. Um short jeans

Acreditem vocês ou não, eu estou com apenas um short jeans que me serve - o outro estragou o zíper, eu consertei, estragou de novo e tá lá. Provei um lindo na C&A, mas o 46 não serviu. Enfim, quem quiser me dar, é 48, cintura alta.



6. Livro O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas Pai

Super quero ler, mas eu simplesmente não acho pra vender. Na verdade, achei no submarino, mas vou deixar como opção pra quem quiser me dar um presente mais barato =D

Não é essa a saia da história (a que eu provei era toda preta), mas é bem parecida


7. Uma saia com peplum

Provei uma saia linda da Lança Perfume ano passado, e passei a desejar uma saia com peplum desde então. Não a comprei por motivos de: 300 paus numa saia é simplesmente um absurdo. Com essa grana, eu posso comprar seda pura. E, outro motivo: eu engordei um monte de lá pra cá. A saia não ia servir mais, se eu tivesse comprado. Eu vou, é claro, fazer a tal da saia. Estava pensando em neoprene, mas me falaram que não fica tão bom (embora a saia provada seja de neoprene) e eu vi uma foto maravilhosa da Flúvia Lacerda com uma saia de Jacquard - que é bem caro, mas não tanto quanto a saia pronta.  Estou em dúvida quanto à cor, mas um vermelho puxado pro bordô está ganhando a disputa agora. Acho que pode ser branco também, ficaria legal.

Estou em dúvida, mas a revista da Flúvia dizia que 90 centímetros são suficientes pra fazer a saia - tamanho 48 -, pra quem quiser me dar.

8. Minha mãe acha que eu devo trocar meu relógio por um novo, mas não vejo necessidade. Apesar de ter mais de dez anos, ele funciona muito bem, obrigado, e não está gastando mais pilha do que quando era novo. A "tela" está um pouco arranhada, mas isso não me impede de ver as horas.

 De resto, não uso maquiagem, tenho sapatos que chega (me comprei um essa semana inclusive), as roupas eu que me faço - e tenho tecido que chega esperando para virar uma peça - mas, se alguém quiser me dar mais pano, eu aceito.


No fim, é uma pequena lista de coisas que quero/preciso comprar, não uma longa e absurda lista de sonhos de consumo (que podem incluir sutiãs de unicórnio, calcinhas de cupcake, fones de ouvido decorados, blusas de gatinho, ursinhos carinhosos de pelúcia, guarda-roupa retrô e outras coisas inatingíveis)

Tipo isso que postaram num grupo esses dias. Se tivesse pra vender em algum lugar, não teria do meu tamanho.

Enfim, não espero receber nenhuma dessas coisas de presente (mentira, no fundinho ainda tem alguma esperança sim).

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Tretas

Hoje eu li um texto de uma feminista rad em que ela questiona o movimento feminista que apoia as mulheres trans e a própria definição que ela recebe desse outro movimento, a palavra cis.

Cis é aquela pessoa cujo gênero se conforma com o sexo de nascimento - ou seja, uma mulher que nasceu com vagina ou um homem que nasceu com pênis. 

Para essa moça, mulher cis não tem nenhum privilégio perante as trans, porque somos, entre outras coisas, obrigadas à maternidade, ao trabalho doméstico, ao manter-se feminina e etc. As mulheres trans não são obrigadas a nada disso. Sua opressão se resume a ser um homem que não se adequa ao que se espera dele, em termos de gênero. 

As trans, por outro lado, querem ser consideradas mulheres e insistem que sofrem misoginia - principalmente porque vivem, em média, 30 anos a menos que as pessoas cis, entre outras coisas. As garotas que defendem essa corrente costumam criar treta com as rad.

O que eu queria dizer é: gurias, parem com essa competição de miss sofrência 2015. Somos todas oprimidas pelo patriarcado, que vai ser o único beneficiado com as dissensões dentro do feminismo. Não quero entrar no mérito de quem está mais certo, porque eu não me sinto nesse direito. Não quero ser nomeada a miss sofrência do ano, porque, principalmente, vejo garotas passarem por muitas coisas piores do que eu já passei - sem querer comparar sofrimentos, por que, afinal, cada um reage de uma maneira às coisas que vive. 

Acho que devíamos todas nos unirmos (todas mesmo - eu não gosto de usar a chamada "linguagem inclusiva" (tod@s, todxs, todes) porque concordo com a galera que diz que isso é academicista e nunca vai passar para a língua falada - incluindo aqui mulheres, mulheres trans, homens trans e quem mais o feminismo possa abarcar). Um bom exemplo é o movimento negro, que criou o termo "colorismo" para englobar todos os negros, independente do tom de pele. Assim, em vez de ficarem discutindo "sou mais negro que tu", todos se unem e o movimento fica mais forte. 

nota: o movimento anti-gordofobia devia fazer a mesma coisa. 

Agora, o que eu penso sobre pessoas trans: são, antes de tudo, pessoas, e devem ser respeitadas, independente de como escolham viver suas vidas. Não me custa nada chamá-las pelo pronome que lhes aprouver. E, claro, como muitas estão em situação de risco social, o Estado tem a obrigação de fazer programas de assistência - como a qualquer grupo marginalizado em situação de risco (não, evangélicos fundamentalistas que acham que estamos numa ditadura gay não estão inclusos). 

Enfim, isso aqui são mais divagações que qualquer outra coisa. Estou aberta ao diálogo - contanto que você também esteja -, principalmente com minas do movimento feminista. Se o que eu disse te ofendeu, por favor, me diz que eu mudo. 

Esse post foi escrito há uns bons meses já e eu andei me aprofundando mais no movimento rad, e estou cada vez mais concordando com elas. Vou aqui expor os meus (novos) pontos de vista.

Primeiro ponto: mulheres trans não sofrem misoginia. Porque a sociedade não as vê como mulheres, então não pode discriminá-las como mulheres. Explicando melhor: tu não sofre preconceito porque tu se sente da maneira x ou y, mas por como a sociedade te vê. A sociedade (não eu ou as feministas radicais) vê as mulheres trans como homens que não seguem o padrão imposto para o gênero, portanto vai tratá-las assim.

Segundo ponto: haver milhares de gêneros ou não haver nenhum daria no mesmo. Rads e transallys estão lutando pela mesma coisa, de jeitos diferentes.

Terceiro ponto: além da "autoidentificação de gênero", nada mais define uma pessoa como homem, mulher ou quaisquer outros gêneros, na teoria transally. Ou seja, outro dia me apareceu no facebook uma pessoa com um nome feminino, uma foto aparentemente feminina (seguindo os estereótipos de gênero feminino) e se dizendo trans. Eu pensei que era mulher trans, mas ela me diz que é um homem trans. Isso parece legal na teoria (afinal, não existem coisas de homem e coisas de mulher, nisso concordamos) mas, na prática, a coisa fica meio tensa. Esses dias aprovaram uma lei que permite às pessoas trans usarem o banheiro ao qual se identificam. Imaginem vocês que uma pessoa com pênis e completamente conformada com os estereótipos do gênero masculino chegue e diga "me identifico como mulher, portanto quero usar o banheiro feminino". Podemos deixar? Afinal, ela pode mesmo se identificar como mulher (como a pessoa que citei e que uma página transally estava achando linda).

Quarto ponto: eu acho errado chamar de transfóbicas lésbicas que não queiram se relacionar com mulheres com pênis. Afinal, empurrar pênis pra quem não o quer é (adivinhem!) estupro.

Quinto ponto: usar vestido, saia, maquiagem, batom, cílios postiços, brincar de boneca, bordar não são "coisas de mulher". São coisas que qualquer pessoa pode fazer. Não é porque um homem faz todas essas coisas que ele é uma mulher.

Sexto ponto: a socialização. Existe socialização masculina e socialização feminina, por isso que existem tantas diferenças comportamentais entre homens e mulheres. Por exemplo, velhos tarados (homens que, com a idade, perdem a noção do que é lícito fazer em sociedade) existem aos montes, mas não se fala de mulheres que façam a mesma coisa. Entre outros exemplos.

Sétimo ponto: gênero não é questão de autoidentificação. É como a sociedade nos classifica. E isso é extremamente limitador e opressor. Portanto, é melhor eliminar os gêneros de uma vez.

Por último, não mudei de ideia quanto a pessoas trans merecerem respeito e políticas públicas de assistência, pois muitas vivem em situação de risco social.

Enfim, acho que é isso. Não quero criar treta, mas é assim que eu penso.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Decotes profundos

Agora, vamos falar um pouquinho de moda - sempre dando opinião, claro. Afinal, agora sou oficialmente caloura de moda na UDESC e posso sentar a língua! - como se eu já não fizesse isso antes.

Tem uma coisa que eu sempre achei feio. São aquelas blusas com tule em recortes quadrados aleatórios pela própria extensão. Tipo essa daqui:

e
E ainda é amarela! Fonte
E outra coisa, também feita de tule, que eu acho bonita - mas nunca tinha me imaginado usando - é o tal do decote profundo.


Essa mulher é maravilhosa, minha gente

E porque, se tu acha lindo? Bem, como alguns aqui devem saber, eu tenho os peitos muito grandes (ainda mais agora, que eu engordei. Estou usando sutiã tamanho 50/52 e não sou tão gorda assim, a última calça que me comprei é 46 e ainda fica grande). Sempre achei que ia ficar pornô demais, com o sutiã aparecendo e tudo.

Pois bem, na semana do dia 2 de setembro - quando comecei a escrever esse post - eu provei uma blusa com decote profundo (na verdade, era um vestido). E ficou lindo pra caralho! (não tirei fotos, porque eu tava na loja e o vestido simplesmente não fechou - e adivinhem por que não fechou.) E então eu fiquei: eu PRECISO de uma blusa com decote profundo.

Como, claro, não é qualquer coisa que serve em mim, eu estou pretendendo fazer a tal blusa. Andei atrás de inspirações na internet, e depois vi numa loja uma blusa verde menta com decote profundo de tule. Fiquei morta de vontade de ir à tal loja provar, mas eu vi do carro (a loja fica em Forquilhinhas) e vai ser difícil ir até lá.  Eu amo verde menta, já disse pra vocês? Enfim, ainda tem a chance de eu pedir pra minha mãe parar o carro lá e chegar na loja e a bendita blusa não entrar. Seria uma tragédia.

Eu provei uma na Chamelle, e ficou bonito, mas ficou apertado demais. E, como ainda estou engordando, não convém comprar roupa apertada. 

Então, conversei com a profs Salete e ela disse que dava pra fazer, só tinha que ir atrás do modelo. Então eu fui. Separei esse da Miley Cyrus que eu achei uma lindeza - eu já disse que amo branco? - mas o da Ju ainda era o meu preferido.



Depois disso, tudo,  aconteceu que minha prima ia casar e eu simplesmente não achava um vestido pro casamento que me coubesse e que eu gostasse. A maioria que me servia parecia vestido de freira, decote sufocado e saia abaixo do joelho. Um serviu e eu gostei - tinha decote profundo inclusive - mas era branco e tinha um bojinho tamanho, sei lá, 46. E eu não ia pagar 200 reais pra ter que ainda abrir o vestido e trocar o bojo né.

 E o que eu fiz? Comprei tecido e resolvi fazer um vestido igual ao da Ju Romano - com muita ajuda da minha profs da costura, a Salete. O resultado?



Uma foto publicada por Letícia Salazar (@leeh_colorada) em

Eu sou a de vermelho - pra variar. Fui correndo pro lado do noivo porque a Andy também tava de preto e ia ficar feito todo o mundo de preto dum lado hauhauah

Quanto ao vestido, ele é de neoprene, e tem bojo - e eu gastei só 60 reais com tudo (e ainda sobrou tule) =D O decote era pra ser mais largo, mas a profs resolveu dar uma de guardiã da moral e dos bons costumes e estreitou ele. Eu meio que me arrependi de ter posto bojo, porque ele não fixa que nem sutiã e fica subindo. Se não tivesse bojo o peito não ia ficar tão firme, mas também não ia incomodar.

Enfim. Eu postei mais pra incentivar outras minas com peitão a usarem decote profundo - porque eu não achei uma foto de guria peituda de decote profundo na busca de imagens do google.

#curvy #plus size #dress


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Hard Reset - Solucionando os problemas do celular

Oi, gente. Eu sei que faz mais de um mês que eu não posto aqui, e que eu ainda não postei esse ano. Mas vocês não têm noção da crise de criatividade que me deu.

Enfim, eu preciso dar uma animada nisto aqui, e vou começar ressuscitando rascunhos antigos.

O primeiro escolhido é um sobre Hard Reset. O que é isso? Basicamente, é formatar o celular apagando TODOS os dados. Não sobra nada. E pra que serve?

Bom, no meu caso, o meu celular já tá meio usadinho (tem uns três anos, por baixo, porque eu não tenho certeza) e era extremamente lento e travado. Uma vez, demorei exatos CINCO MINUTOS pra conseguir responder a uma mensagem no Whatsapp.

Então eu fiz um soft reset, que é uma apagada parcial nos dados do celular. Funcionou por uns dias, mas depois já voltou tudo como era antes. Então eu fui no Google e achei a Hard Reset. E fiz.

É meio chato de fazer, tem que apertar os botões bem rápido, no momento que acendem as luzinhas tem que apertar em outro, parece um joguinho. Tentei três vezes, e, no final, consegui.

Ps: façam backup antes, nunca é demais lembrar

 Resolveu? Em parte. Ele continua meio lentinho, mas não trava mais. Acho que vai dar pra usar por pelo menos mais um ano antes de trocar. Pra quem quiser tentar, eu usei o tutorial deste link. No site indicado tem como fazer em outros modelos, mas no geral é basicamente a mesma coisa.

Bom, galera, e boa sorte!

Façam pra não dar (tanta) grana pras multinacionais que produzem celulares.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Tag: Louca por Comida


Essa tag é muito eu HAUHAUHAAUHA

Vi no Reino de Morango, um blog ultra mega fofo que eu ando seguindo. A guria fez um vídeo, mas eu não sou exatamente a pessoa mais filmável do mundo.

1. Que comida você poderia comer todo dia?
Pô, essa é difícil... Eu como feijão e cebola todos os dias.Eu poderia comer pão, bolo, e, ah, nata. Eu amo nata.

2. Qual o seu restaurante favorito?
Eu não tenho um restaurante favorito. Eu quase nunca saio para comer fora, e quando eu saio, sempre como num lugar diferente - porque gosto de variar, sabe?

3. Que cidade tem a melhor comida que você já experimentou?
Sei lá... Eu amo shimia com nata.

4. O que você coloca no seu lanche do Subway? (alternativamente: no seu sanduíche)
Alface, carne, salame, ovo, cebola, rúcula, queijo.

5. Qual seu sabor preferido de pizza?
Eu adoro Marguerita e pizze de salada. E, claro, de sorvete e morango com chocolate.

6. Tem alguma comida que você sempre quis experimentar?
Eu queria experimentar salpicão, mas, quando comi, fiquei decepcionada.

7. Conte sobre a sua pior experiência num restaurante.
Quando eu saio pra almoçar com os meus pais é um parto, meu pai vê defeito em tudo, fica reclamando, e a mãe fica o tempo todo controlando quanta gordura não deve ter em determinada comida.

8. Quem é o melhor cozinheiro que você conhece? (Pai, mãe, avós, tias e tios...)
Acho que é a vó mesmo... Eu tenho uma tia que cozinha muito bem também...

9. Qual é a comida que você simplesmente sempre erra ao fazer?
Pirão de ovo pochê. É mega difícil fazer um pirão gostoso com aquela montoeira de água fervente.

10. Quais são as comidas que você menos gosta?
Eu não gosto de abóbora e de frango assado.

11. Vegetais cozidos ou crus?
Acho que eu prefiro cozidos.

12. Como você gosta do seu bife? (respostas válidas: não como bife/sou vegetariana, gosto do meu bife quando ele é de soja, etc)
Mal passado. Minha família tem a (péssima) mania de praticamente queimar os benditos e eu odeio comida seca.

13. Você prefere cozinhar comida ou assar coisas tipo pães e bolos?
Eu gosto de fazer doçura, sobremesas e tal.

14. Qual sua rede de fast food favorita? Consegue falar 5 itens do menu?
Eu normalmente não como em fast foods. Eu gostava da Camarão Express, mas, não, não tenho a menor ideia do que eles têm no menu.

15. Um lugar para comer que você gostaria que estivesse mais perto de você?
Eu comi um risoto de pinhão em Lages uma vez no shopping. Altos bom.

16. Sua sobremesa favorita (aka seu ultimate bias dos doces)?
Caralho, sou apaixonada por sobremesas (por todas) mas acho que estou mais viciada em Cheesecake ultimamente.

17. Que comida você se sente mais atraída quando está reunida com outras pessoas?
Bolo!

18. Comida favorita de Natal?
Chocotone!

19. Qual a primeira comida que vem na sua cabeça neste instante?
Caralho, esqueci todas as comidas que já comi na vida. hauhauah Suco de laranja

20. Você tem algum hábito estranho de comida?
Eu gosto de apenas cozinhar as batatas e fazer meu purê no meu prato, com azeite de oliva.

21. Que feriado tem as suas comidas favoritas?
Eu sou mega suspeita, porque eu gosto de comer qualquer coisa, mas eu amo Natal.

22. Que comida você NUNCA experimentaria?
Eu comeria literalmente qualquer coisa. Incluindo insetos.

23. Você sabe a comida favorita da sua melhor amiga?

Sei, é ovo.

24. Qual a melhor comida que a sua mãe faz?
Eu gosto da comida do dia a dia.

25. Como você prefere seus ovos: mexidos, cozidos, poché, fritos (gema mole ou gema dura?). Dê todos os detalhes (ou lembre-nos novamente que você é vegetariana/vegan e não ovolacto).
Essa é fácil. Eu gosto pochê, cozidos na água cheia de temperos (cebolinha, cominho, pimenta do reino, salsinha) e que essa água seja usada, post cozimentum, para fazer um pirão. Eita porra, já me deu fome.

26. Você já teve um restaurante que era o seu favorito mas fechou?
Tenho não.

27. Você gosta de torrada mais escura ou mais clara?
Mais clara, embora eu não goste de torrada. (odeio comida seca)

28. Você gosta de comida apimentada?
Siiiim

29. E de frutos do mar?
Amo, principalmente pirão de peixe com tainha

30. Para terminar: primeira comida verde que você consegue pensar.
 Salsinha (ainda estou pensando no ovo)