Poucos contos e alguns trocados.

domingo, 31 de maio de 2015

Metas mensais para 2015: Maio/Junho

Carvalho, já é metade do ano!


Então, esta tag foi desenvolvida pelo blog Memórias de Uma Guerreira. Essa tag consiste em, no começo de cada mês, fazer uma lista de 5 a 10 metas para cumprir durante ele, de preferência que sejam fáceis de serem cumpridas. No final do mês, fazer um post explicando quais metas foram cumpridas e quais não foram. Se der tudo certo, no final do ano terá uma lista de 60 a 120 metas cumpridas! uhu! Cada mês devem-se renovar as metas.
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Metas para Maio:

1. Projeto não engordar mais:

Então, eu subi numa balança - na verdade foram duas, pra confirmar - e eu estava pesando 76,9kg. Fail total.

a) substituir o pão (eu acabo comendo demais)
Essa eu fiz. Estou comendo tapioca com recheio de frutas no lugar do famoso pão de trigo.

b)fazer caminhada 3x por semana, 15 minutos por dia (vou começar com 15, depois eu aumento pra 30)
Também fiz.

c) fazer um exercício pro peito (eles estão grandes demais - tenho medo que caiam)
Não consegui. Tem um exercício que inclusive pode ser feito no banho, mas eu sempre me esqueço.

2. Fazer artesanato (crochê, bordado ou costura)
Fiz. Fiz a beiradinha de crochê em volta da toalha de rosto de macramê que eu já postei aqui (agora estou fazendo na de banho), vesti três bonecas pra doar (meta de abril), estou fazendo ponto cruz...

3. Continuar estudando italiano (vou pensar nessa com carinho)
Nem abri a bendita gramática.

Total: 3/6. Preciso me esforçar mais...

Metas para Junho:

1. Continuar caminhando, dessa vez 30 minutos três vezes por semana.
2. Fazer um exercício pro peito (dessa vez vai)
3. Continuar estudando italiano.
4. Botar ordem na minha vida, que está um caos.
5. Fazer mais uma ou duas bonecas.
6. Ir atrás de um curso de lingerie
7. Escrever um conto de terror (fui incentivada pela Thainá, colega da Andy, cujo nome vai ser emprestado pra um dos personagens do conto, inclusive.)

Leiam os posts de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril também.

domingo, 17 de maio de 2015

Livros 6/5 a 21/5


O número máximo de livros que tu pode pegar de uma vez na biblioteca Barreiros Filho é 4, mas dessa vez eu só peguei dois pra ler, porque trouxe uma revista de moda (estou fazendo um casaquinho da revista e está divo - até agora) e também um livro do Jung pro meu pai - ele agora cismou de ler essas paradas. Não sei como ele vai dar conta daquele catatau em linguagem técnica, mas aí não é comigo.

O Céu Está Caindo - Sidney Sheldon

Eu não consigo falar desse livro sem lembrar do Sheldon de Big Bang Theory - e olha que eu só vi uns dois episódios da famosa série rs

Enfim. Quem me conhece sabe que eu dou preferência pra livros clássicos - gente do porte de Dumas e Shakespeare - mas tanta gente me falou do Sheldon que eu resolvi pegar pra ler. E o que eu achei? Simples. O livro é absurdamente simples - pra não dizer simplório. Explicando melhor: a personagem principal, Dana Evans, está investigando as mortes trágicas de cinco pessoas da mesma família, que aconteceram no espaço de um ano. Todos pensam que foram acidentes mas ela suspeita que há algo errado. Aí ela vai fazer perguntas a pessoas que possam saber de algo e chega e pergunta "tu acha que eles foram assassinados?" Porra! É claro que não acha! Senão outra pessoa já teria tido a brilhante ideia de investigar, né? (embora eu ache que a polícia não ia simplesmente acreditar que foram acidentes e tá tudo certo) Aí a pessoa fala "não, eles eram maravilhosos" e despede a moça. Só eu acho que ela deveria ser mais sutil? Depois, se ninguém acredita nela, como é que a tv em que ela trabalha banca todas as viagens que ela faz ao redor do mundo?

Paralelo a isso, tem a relação dela com o filho, um menino sérvio sem um braço que ela adotou quando cobriu a guerra na Sérvia, três meses antes e o noivado dela com o comentarista esportivo do jornal,  que viaja para cuidar da ex-mulher com câncer. Mas tudo é retratado de forma primária, sem nenhuma profundidade. Parece livro de adolescente.

Conclusão: até curti ler, mas não pretendo pegar nenhum outro livro do autor, porque não vale a pena.

Rútilo Nada - Hilda Hilst


Esse é o contrário do anterior. Não é poesia, mas também não é prosa. Lembrou o Perto do Coração Selvagem, da Clarice Lispector, que li no ensino médio e também não entendi porcaria nenhuma. Quero dizer, eu entendi a história - começa no velório de um rapaz, sob o ponto de vista de seu amante, que era pai da namorada dele - mas tem muito mais ali que eu não consigo captar. Talvez a linguagem meio confusa e embolada seja o próprio foco da narrativa e eu é que tou procurando grandes histórias. É sobre sentimentos e coisa e tal, não um aconteceu isso depois aquilo.

Conclusão: não leria outro da autora, porque eu não sirvo pra linguagem poética.

Ps: o livro que peguei tem três "livros" da autora, A Obscena Senhora D e Qados. Eu comecei a Senhora D, mas o tipo de linguagem é o mesmo,  e eu entendi menos ainda. Não sirvo pra isso.

Diário de um Banana - Jeff Kinney


Uma colega da costura me emprestou esse, mas eu li por esses dias então vou resenhar junto.  Não gostei. Imaginei que fosse mais divertido, mas basicamente é só um moleque tentando se dar bem na escola - não ser zoado, tirar notas razoáveis (sem estudar, claro) -, querendo jogar videogame e se dar bem com os pais - leia-se ganhar bons presentes, não ganhar broncas, não ser considerado um filhinho da mamãe e etc. É um pouco parecido com o Todo o Mundo Odeia o Chris, com a diferença que o seriado tem uma crítica social forte e também é mais engraçado e irônico - isso que eu não gosto do seriado.

Conclusão: não daria pro meu filho ler. Tou pensando o que dizer pra minha colega pra ela não me trazer os livros seguintes - ela disse que vai trazer.

Ps: o nome do autor do livro é o mesmo do namorado da Dana, do O Céu Está Caindo


Querido Diário Otário - Jim Benton


Esse eu li na biblioteca mesmo. Também não gostei. É um pouco parecido com o diário do banana, com a diferença que a menina morre de inveja da garota mais popular da escola e vive repetindo que a odeia. Achei superficial e fútil.

Conclusão: jamais daria pra um filho meu ler. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Superstições

Superstição é uma coisa normalmente relacionada à ignorância (não ignorância no sentido de brutalidade, mas de falta de conhecimentos) e uma pessoa como eu, com curso superior e amplo acesso à leitura não deveria ter esse tipo de coisa. 

Mas eu tenho, por incrível que pareça. E eu acho que todo o mundo tem, de uma forma ou de outra. Acho que o ser humano tem inato o instinto do sobrenatural, afinal nenhuma cultura respondeu um foda-se para a famosa pergunta "qual a origem do universo?". Eles enterram seus mortos, cultuam deuses e antepassados, e todo esse tipo de coisa. 

Quando a gente se torna racional demais está negando esse instinto do sobrenatural e ele acaba dando um jeito de aflorar. 

Explico melhor: eu sou uma pessoa bem racional. Eu me incluiria, na verdade, numa categoria de homo dubitans. Eu não nego nem acredito em nada. Eu duvido de tudo (dubitans = que duvida). Deus existe? Não sei, quem sabe? A luz é onda ou partícula? Boa pergunta. Estamos mesmo vivos? Não sei, o que nós chamamos de universo pode ser só um breve pensamento de Deus e, nesse caso, a resposta é sim e não - ao mesmo tempo - ou essa vida pode ser a vida futura de algum universo paralelo e nós nascemos aqui quando morremos lá e vice-versa e, também nesse caso, a resposta é sim e não ao mesmo tempo!

Enfim. Sou dessas. Mas tem uma superstição que o meu consciente rejeita mas  em que alguma coisa dentro de mim acredita piamente. É o seguinte: nós temos uma "franquia de sorte" durante a nossa vida. Cada vez que acontece alguma situação em que temos sorte, um pouco da franquia se consome. Assim, se tu ganha na loteria, consome 100.000 créditos de sorte (dependendo o valor). Se perde o avião que vai cair,  é um milhão. Se acha 50 pila na rua, são 50 créditos, e por aí vai. 

Isso é absurdo, eu sei. Aliás, é o cúmulo do absurdo. Mas eu não consigo não acreditar. Me lembro que, um dia, eu tava andando embaixo de uma árvore, e caiu uma folha bem na minha frente (era uma folha meio grande). Na hora, eu pensei "pô, isso podia ter caído na minha cabeça e essa sorte ser guardada para quando um passarinho resolvesse cagar em cima de mim". É claro que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas eu não gosto de me inscrever em sorteios que eu não tenha muita vontade de ganhar, justamente pra não ganhar e não consumir minha cota de sorte. 

Tem outra coisa levemente bizarra em que eu acredito e que também vai nessa linha. Eu disse pra vocês que eu não sei se Deus existe, não disse? Pois a minha mãe tem certeza absoluta de que Ele existe e, como se isso não bastasse, ela fica rezando para pedir coisas insignificantes. Sumiu a chave? Reza pro Santo Antônio. Tá com dor de barriga? Reza. Aconteceu isso? Reza. E por aí vai. 

Mas tu não acredita, então não reza, né? Não é bem assim. Eu não acredito, mas também não nego. O que não quer dizer que eu reze. Eu sempre penso "vai que o santo existe mesmo, me atende e, com isso, eu venha a consumir minha franquia de pedidos com coisa inútil?"

Essa minha crença deve fazer um pouco mais de sentido porque justamente um dos mandamentos é "não falarás o santo nome de Deus em vão" no que eu acho que podem se incluir pedidos relativos a sumiços de chaves e coisas do tipo. 

Imagina a cena. Tu tá correndo risco de vida, aí reza e ouve uma voz do além "seu saldo é insuficiente pra completar esse pedido". E pior, não dá pra recarregar! Tu nunca mais vai poder pedir absolutamente nada! Isso, pra uma pessoa que tá acostumada a pedir tudo, deve ser horrível.

(Deve ter gente rindo - eu também riria - mas é muito sério. Eu realmente acredito nisso.)

E tu, tem alguma crença absurda/bizarra? Conta pra mim!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Metas mensais para 2015: Abril/Maio

Então, esta tag foi desenvolvida pelo blog Memórias de Uma Guerreira. Essa tag consiste em, no começo de cada mês, fazer uma lista de 5 a 10 metas para cumprir durante ele, de preferência que sejam fáceis de serem cumpridas. No final do mês, fazer um post explicando quais metas foram cumpridas e quais não foram. Se der tudo certo, no final do ano terá uma lista de 60 a 120 metas cumpridas! uhu! Cada mês devem-se renovar as metas.
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Metas para Abril:

1. Tentar voltar pra faculdade pra fazer italiano 
Dessa eu desisti mesmo. Resolvi que só volto pra faculdade se for pra fazer moda.
2. estudar italiano sozinha pelo menos 2 vezes por semana (na gramática que eu já tenho)
Fiz mais ou menos. Preciso fixar dia e horário pra conseguir. Mas estou meio desanimada quanto a isso (não vejo futuro nisso)
3. Continuar fazendo crochê
Consegui carajo!! Terminei um pano de prato e já comecei outro. Está lindo, divo e maravilhoso =D
4. Fazer uma roupinha pra doar (seja de boneca ou de gente)
Não fiz.
5. Digitar pelo menos um dos contos que tenho prontos
Fiz. Está aqui

6. Continuar procurando emprego
Fiz. Cheguei a fazer um concurso - ainda não surtiu nenhum efeito.

Resultado: 3/6.

Metas para Maio:

1. Projeto não engordar mais:
a) substituir o pão (eu acabo comendo demais)
b)fazer caminhada 3x por semana, 15 minutos por dia (vou começar com 15, depois eu aumento pra 30)
c) fazer um exercício pro peito (eles estão grandes demais - tenho medo que caiam)
2. Fazer artesanato (crochê, bordado ou costura)
3. Continuar estudando italiano (vou pensar nessa com carinho)

Vamos ver no que vai dar.
Leiam os posts de Janeiro, Fevereiro e Março também.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sereias

As sereias são, na mitologia grega, seres metade pássaro e metade mulher, cujo canto maravilhoso atraía os mergulhadores para, então, devorá-los. A forma atual da lenda (metade mulher, metade peixe), foi tomando corpo na Idade Média, provavelmente influenciada pela mitologia nórdica.

Os gregos também tinham umas mulheres da água, as nereidas, filhas do deus Nereu (antigo deus da água, que reinou antes de Poseidon). Elas eram ninfas aquáticas.

Tentei imaginar a Ariel metade pássaro. Ia ser difícil fazer um troço fofinho
(Pensando bem, faz bastante sentido que seres com um canto maravilhoso sejam metade pássaros, não? Porque, até onde eu sei, peixe não canta. Baleias e golfinhos sim, mas não são peixes. Existe a ordem dos sirênios, que engloba os peixes-boi, que, até onde me consta, também não cantam. E tem uma banda chamada Sirenia)

E esse é o clipe da música de que eu vou falar hoje:

 
Eu amo essa música 


A música vem do álbum Destination Set to Nowhere, do Vision Divine, um álbum conceitual que narra a história de uma população humana que, cansada das corrupções da Terra, parte em busca de um planeta no qual possam viver em paz. Eles encontram o planeta mas, pouco depois de terem se estabelecido lá, começam a surgir os mesmos problemas que já enfrentavam na Terra. Quem lembrou da Arca de Noé põe o dedo aqui



Durante a viagem - que é extremamente longa, afinal, é uma viagem pelo espaço em busca de um planeta que forneça condições para a vida humana - o personagem principal - o sujeito que tem a ideia de levar a galera pra passear - começa a "delirar". Antes da letra da música, tem uma pequena introdução (no encarte do disco):

Um caminho tão longo, um tempo tão longo. Apesar de sabermos que isso ainda é o comecinho, estar perdidos no espaço por todos esses anos está minando nossa sanidade. Nós quase perdemos a esperança e todo esse silêncio está me trazendo estranhas sensações: às vezes, quando eu me fecho no meu quarto, tentando dormir, eu penso sobre Ulisses e sua busca interminável na volta para casa... às vezes eu pareço ouvir vozes me chamando pra fora daqui, como sereias nos chamando de suas luas [tradução minha, beeeeem livre]
E a música:

"If I close my eyes I can hear voices like a whisper
Someone's calling
Like old mermaids from their moons
Singing melodies to those who pass by, then surrender
My reason's falling..."

Algo como "Quando fecho meus olhos, posso ouvir vozes como um sussurro
Alguém está chamando
Como velhas sereias de suas luas
Cantando melodias para aqueles que passarem, então os surpreendem
Minha razão falha"

Depois ele diz "Like Ulysses and his sailors
Now we face our Odyssey
(...)
Trying to keep our sanity"

"Como Ulisses e seus marinheiros
Agora enfrentamos nossa Odisseia
(...)
Tentando manter nossa sanidade"

Ulisses, pra quem não sabe, é o herói grego conhecido por sua inteligência. Ele, após a guerra de Tróia, que durou dez anos, mata um ciclope, desafiando Poseidon, pai e protetor dos ciclopes. Por isso, o deus do mar o persegue, atrasando sua viagem de volta para casa, que acaba durando dez anos. 

No episódio a que a música se refere,  Ulisses passa pela ilha das sereias e, desejando ouvir seu canto sem morrer, manda seus marinheiros taparem os ouvidos com cera e o amarrarem ao mastro do navio, e não o soltarem em hipótese alguma. Assim, ele pôde curtir a sonzeira. 



No clipe, como vocês devem ter percebido, o rapaz se acorrenta para não ser levado pelas mulheres que o atraem.

E a Iara, do folclore brasileiro, também é uma sereia. Ela atrai os pescadores, que acabam morrendo afogados. Na Wikipedia,  diz que, no princípio, o personagem era masculino e também devorava os pescadores. A versão feminina é posterior, provavelmente influenciada pelos mitos europeus. Eu não sabia disso. Não manjo nada de mitologia tupiniquim. 


E tem a música Iara, da excelente banda brasileira Aquaria:


 
Eu também amo essa música



O legal dessa música é que ele conta a partir do ponto de vista do moço que se afoga (eu deduzo). Curtam só um pedacinho da letra:

"Take my hand
show me where the river ends
I look into your eyes and see what I have never seen
Hold me now
Love me to the end of dawn
I look into your eyes and feel I'm living in a dream"


"Pegue minha mão
Mostra-me onde o rio termina [e morreu]
Eu olho em teus olhos e vejo o que jamais vi
Abraça-me agora
Ama-me até o fim da alvorada
Eu olho em teus olhos e sinto que estou vivendo em um sonho"



Existe uma interpretação para o mito da sereia, de que ele representaria a sexualidade feminina. A sociedade europeia é patriarcal, ou seja, os homens é que contam as histórias. Não existe a voz da mulher falando por si mesma: eu tenho tais e tais desejos, eu penso assim ou assado, eu sinto isso ou aquilo. Por conseguinte, a mulher é o desconhecido e tudo o que é desconhecido é ameaçador. 

Portanto, os homens representam a mulher usando a sexualidade como modo de controlar os homens, não de obter prazer. Pensem em mulheres dominadoras e sexys da literatura (e filmes mais recentes, com pouquíssimas exceções). Elas fazem sexo, encantam os homens, mas com o intuito de obter vantagens, e não prazer. A imagem da moça que transa com um sujeito rico pra engravidar e "dar o golpe da barriga" é exatamente a mesma coisa. Ninguém pensa que ela transou porque tava afim de transar - simplesmente - e engravidou porque - ué - porque transou.

Uma dica, homens: as mulheres na vida real não são assim. Aqui tem algo sobre isso, sobre as mulheres de games e super-heroínas que usam roupas minúsculas e pouco confortáveis para lutar - algumas inclusive tiram partido de seu belo corpo para ajudar a vencer lutas!

Bom, por hoje é só. Pra finalizar, deixo um link dum blog que tem uma matéria bem interessante sobre o tema: http://merafantasia.blogspot.com.br/2007/10/sereias.html

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Livros - 8/04 a 22/04

Vou resenhar juntos os quatro livros que peguei na biblioteca no dia 8 de abril.

 

Um Corpo na Biblioteca - Agatha Christie


Cotação: curti.

O detetive principal da trama é uma mulher! Achei muito legal, porque normalmente livros/filmes policiais retratam o detetive como um homem, ou, no máximo, uma dupla, em que a mulher ocupa papel secundário. Miss Marple é uma velhinha solteirona com um raciocínio e capacidade de observações equivalentes aos do Sherlock Holmes (ou do Homem que Calculava). Ela é capaz de tirar conclusões baseada nas unhas da moça morta!!!

A trama é bem intrincada, cheia de personagens (chega até a confundir), mas a conclusão final é baseada em um dado que não é sequer sugerido no livro. Dessa maneira, tu simplesmente não tem como adivinhar o final, tem? Acho que nem com a capacidade de observação da Miss Marple. O fato é que eu já supunha algo parecido com o que aconteceu (só errei os personagens, e por causa desse defeito na narrativa).

 

Noite de Reis - Shakespeare e A Décima Segunda Noite - Luís Fernando Veríssimo

Cotação: "Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro." (Luís Fernando Veríssimo)

Estou resenhando juntos porque o livro do Veríssimo é inspirado na comédia Shakespeareana, e ambos têm a mesma história. Basicamente, é a de uma moça que, separada do irmão gêmeo, Sebastião - por infelicidade - disfarça-se de homem para trabalhar e se apaixona pelo patrão, que a/o manda cortejar a Olívia, mulher por quem o patrão é apaixonado.

Que confusão, né? Isso tudo é pra ser engraçado. E é. Além da confusão central, acontecem outras, envolvendo o irmão gêmeo da moça (que é confundido com ela), o mordomo da Olívia - que acaba acreditando que a Olívia o ama, o "Lorde Bochecha" - sujeito que é apaixonado por Olívia e amigo do tio dela, Maria - criada ou tia de Olívia, dependendo a versão que se lê - e Antônio - amigo de Sebastião.

E ainda tem o Bobo (sempre tem um bobo nessas comédias) que virou o "Festinha" no A Décima Segunda Noite. Esses bobos são muito engraçados, embora todo o mundo os ache loucos, mas me parecem muito sãos. Eu tenho pra mim que, naquele tempo, tinha um povo que se fingia de louco só pra descolar um empreguinho.

No livro do Veríssimo, o narrador é um papagaio (!) que também se apaixona pela personagem central da comédia (!!), Violeta (que Shakespeare chama de Viola), e que cita Flaubert e Shakespeare o tempo todo (!!!). Tem um punhado de gente que não acha a menor graça nisso, mas eu acho hilário. Tem uma hora que ele fala "longe de mim me comparar ao xixi do Proust" hauahauah
Outra coisa bem engraçada nesse narrador-papagaio é que ele está falando pra um gravador, pra um bando de jovens que o entrevista. Os jovens não aparecem, mas ele conversa com eles. Tem horas que a fita acaba e ele fica "merda, de novo essa fita acabando"

O livro do Shakespeare também é engraçado, mas a linguagem é erudita demais, aí tu perde tanto tempo tentando entender o que tá escrito que nem dá vontade de rir (embora eu tenha rido de algumas coisas - não me lembro de quais, mas eu ri). Essa edição é da década de 50, e taqui a prova, pra quem não acredita:
Foi doado em 57, pensem.
 As traduções mais recentes são mais palatáveis. Me lembro um dia em que o professor de teoria tinha mandado a gente ler o Hamlet, e eu li a versão do Millôr Fernandes (recomendo essa) e uma colega minha tinha pegado uma tradução antiga (década de 50, por aí). Eu dei uma olhada no livro dela e não entendi patavinas! Shakespeare tem que ser numa linguagem de gente! O cara escrevia peças para serem representadas pra um bando de bêbados, ia ser muito erudito? Não ia.

Enfim. Achei que eu ia escrever horrores sobre os dois, mas não tenho muito o que dizer, afora que eu gostei, muito. E eu adotaria esse papagaio, de boas, só pra bater uns papos com ele.


A Cidade e as Serras - Eça de Queirós


Peguei esse livro só pra poder fazer essa piada

cotação: Esse aqui tá difícil de ler

Chegou o dia da entrega e eu não terminei. Não sei se vale a pena renovar.

domingo, 19 de abril de 2015

O Preço da Eternidade


Imagem catada na internet

Eae, gente! Eu finalmente consegui digitar esse conto! Já faz um bom tempo que o escrevi, usando dois assuntos sobre os quais eu sempre quis discorrer: a maldição pelo assassinato de um unicórnio e um conto de terror. Não sei se ficou terrorífico que chega, mas pelo menos fala da maldição. 

E, de quebra, já cumpri uma das metas para Abril, digitando o bendito.
Enfim. Ei-lo.

O preço da eternidade


Matar unicórnios dá azar. Mais do que azar, matar um unicórnio é sinal de uma desgraça medonha e iminente. Qualquer um sabe disso.

Mas o que muitos não sabem é que essa história serve para encobrir uma verdade terrível: há um ritual feito com sangue de unicórnio que dá a quem o fizer a imortalidade – e plena saúde - por toda a eternidade. Mas há um preço por tudo isso, é claro. Durante esse ritual, a pessoa perde o poder sobre a própria alma.

É uma história terrível, e poucos malucos arriscar-se-iam para confirmar que fosse verdadeira. Na verdade, os bardos não costumam contá-la justamente para evitar que esses mesmos malucos se atrevam. Imaginem os perigos que podem advir de um ser imortal sem alma zanzando pelo mundo.
Portanto, eu não ouvi essa história de um bardo. Ouvi-a há anos, de uma bruxa, provavelmente a pessoa que conheci mais próxima dos tais “malucos”.

Nunca contei a ninguém, mas agora recordo a velha história. Seria uma tentação? Lanço um olhar à minha esposa, deitada na cama, derretendo-se em febre. Ela, inconsciente, aperta minha mão e delira e geme. Seu ventre inchado realça mais ainda sua magreza mortal. As últimas palavras que ela disse antes de perder a consciência, há dois dias, ainda ecoam na minha mente: se for preciso escolher entre mim e o bebê, escolham o bebê. O médico esteve aqui e disse que, provavelmente, não haverá escolha possível.

Lembro-me da bruxa “vida e saúde eternas...”

Aperto a mão de minha mulher. Dedos finos, longos, pálidos, sem esperança, sem vida. Preciso deles. Deles cheios de força novamente, acariciando meus cabelos, de poder beijá-los outra vez. 

Só dependia de mim.  De que me valeriam a alma imortal e o paraíso celeste sem tudo o que me importava?

Decidi, enfim. Deixei-a aos cuidados de meus sogros e prometi regressar com a cura. Minha sogra chorava. Seu marido bateu nas minhas costas e me pediu para voltar logo. 

Meu coração ficou mas eu parti em busca do sangue do unicórnio que permitiria aos três sermos felizes para sempre.

-x-x-x-

Por três dias vaguei, até entrar em uma floresta estranha. Era ela, a floresta em que encontrei o unicórnio, depois de uma semana. Ele estava lá, exatamente como eu o imaginara. Um belíssimo e esguio cavalo branco, com um gigantesco e pontudo chifre na testa.

Enfim, a criatura! A criatura do sangue de prata, da minha salvação e de todos que amo.

O ritual era simples. Bastava fazer um corte vertical no pescoço dele e colher o sangue, que finalmente nos daria a vida eterna. Rápido, antes que a criatura escape.

Mas os meus membros estavam pesados, como acorrentados. Eu não podia dar sequer um passo. E o bicho impávido diante de mim, como uma tentação. Uma tentação à qual eu tinha preguiça de ceder. Não que não quisesse, eu a desejava como um pecador à salvação, mas meus desejos estavam adormecidos, eram apenas uma lembrança.

Quando enfim esbocei reação, uma voz desconhecida invadiu minha mente. Seria o unicórnio? Ele não falava. Talvez um poder místico, minha consciência ou até o próprio Deus.

“Vais matar uma criatura inocente para satisfazer teu desejo?... Olha pra ele, nunca te fez mal...”

Não consegui replicar. Meus dedos estavam amolecidos. A voz continuou:

“E tua alma imortal? Inocente como esta criatura... Vais sacrificá-la também?”

A minha alma estava em um catre, em casa, repleta de nosso filho. Eles eram minha alma, e mais nada, nem Deus, importava. Eu já havia sacrificado a vida celeste, mesmo antes de ameaçar o unicórnio. Não retruquei, porém. Fixei o olhar na criatura inocente diante de mim – tão inocente que seu único pecado fora ter algo que eu desejava. Pecado, porém, suficiente para ser condenado.

Mantive a ideia de rasgar o pescoço do bicho mas, imóvel pela minha própria incapacidade, esperei a grave voz misteriosa tornar a me admoestar.

Mas não. Deus – se é que era realmente Ele – cansara-Se de mim. Qualquer coisa seria inútil.

Pensei no meu inocente filho, que ainda nem nascera, e quase recuei ante a ideia de que seu primeiro alimento seria o sangue da criatura sagrada. A visão me aterrorizou, os pequenos lábios manchados de rubro puro, o choro de fome, o leite pálido que ele sorveria em seguida, de meu anjo de alma já corrompida. Os olhos dela deixariam o bebê para olhar para mim, e seus lábios sujos de sangue sorririam, livres e salvos, enfim.

Tive um novo sobressalto, lembrando dos longos dias de doença dela, do sangue e da febre, do ventre crescendo e os ossos surgindo sob a pele magra. Ela iria morrer.

Meus dedos me obedeceram, enfim. Tomei o punhal da bainha e avancei no bicho, com violência, fúria, sede. Talvez ódio, como se meu anjo estivesse naquele estado por causa de uma maldita criatura mágica.

E nem a voz de Deus na minha cabeça “tolo imbecil!” me deteve.

Cravei o punhal logo abaixo da mandíbula do bicho e deslizei em direção do ombro, num golpe só. Prata líquida esguichou e escorreu pela minha mão, enquanto o unicórnio me lançava um último olhar humano e a voz desfalecia em minha mente.

Sorri insano. Finalmente. Minha doce esposa e meu filho viveriam para sempre, abençoados pela maldição do unicórnio.

Provei do sangue, após recolhê-lo num odre, e não senti absolutamente nada de diferente. Bebi alguns goles e uma leve tontura se apossou de mim, mas logo eu não tinha mais nada. A imortalidade era só isso? Com o mesmo punhal, fiz um corte comprido em meu pulso. Esfreguei o sangue prateado ali. 

Quase imediatamente, ele fechou por definitivo, restando apenas um fio metálico ali, a prova da marca.

Disfarcei o odre em minha bagagem e me preparava para partir, quando senti uma forte ânsia de vômito. Caí de joelhos, havia algo preso em minha garganta, que meu corpo fazia questão de expelir. Talvez o sangue. Mas era pastoso e me impedia de respirar.

Quando enfim consegui vomitar, escorreu de minha boca um enorme fio pastoso, que não terminava. 

Fiquei ali, sofrendo, até conseguir pôr tudo pra fora, transbordou pelos meus olhos, abriram-me cicatrizes antigas, que passaram a sangrar prata, e até a mais recente, e eu não sabia o que fazer, estava me desfazendo em mercúrio, ali mesmo, diante do corpo do unicórnio que se decompunha aos poucos. 

Se houvesse alguém naquela floresta, fugiria aterrorizado de meus gritos guturais de sofrimento atroz, mas não, eu estava completamente só, como vim ao mundo, e era assim mesmo que o ia deixar. Meu único consolo era que morreria ao mesmo tempo em que ela o faria, minha doce esposa. 




Não soube quanto tempo passou, até que acordei completamente recuperado. Não havia cadáver nenhum diante de mim, nem sangue argênteo, só meu odre profano. Suspirei, tomando forças pra me levantar, o que, para minha surpresa, foi incrivelmente fácil. Senti-me leve, como há anos não me sentia. Como se houvesse nascido de novo

Meu coração exultou de felicidade. Parti o mais rápido possível, encontrando meu cavalo onde o havia deixado. Minha mente só tinha espaço para a visão da minha esposa saudável, exatamente no dia em que nos conhecemos, uma festa da aldeia, todos ao redor do fogo, ela dançando, os olhos castanhos brilhando, os cabelos trançados até a cintura, a boca de pêssego maduro, as ancas largas, o corpo macio.

Ela sorrira pra mim e eu decidira fazê-la a mulher da minha vida. Para sempre

Nosso bebê surgiu depois em meus pensamentos, pequeno e gorducho, os olhos da mãe. Não consegui saber o sexo, mas ele roía a própria mão, travesso. Havia leves cachinhos muito claros no topo de sua cabecinha afável.

Minha amada, com ele no colo, sorria e lhe dizia “dá tchau pro papai, dá”.

Parei, fulminado por um raio. Ele tinha olhos de prata!

Não consegui reagir por horas. Meu cavalo me carregou, paciente, até a casa que sabia ser nossa. Durante esse tempo,não me abandonou a visão de minha mulher com nosso filhinho no colo, ensinando-o a dar tchau para o papai.

Quando enfim voltei a mim, esporeei o cavalo e parti a toda velocidade, disposto a chegar o quanto antes.

No amanhecer do quarto dia alcancei o lar e a primeira pessoa que vi foi meu sogro cultivando algumas flores que sua filha diligente havia plantado embaixo de nossa janelinha.

Gritei o nome dele, que apenas ergueu os olhos, sem dar muita atenção. Apenas abandonou o ofício quando desci do cavalo e fui até ele.

-Como ela está? – interroguei, ansioso.

-Lá dentro, descansando – respondeu misterioso.

Meu coração disparou. Então ela estava melhor? Entrei quase correndo na casa. No nosso quarto, a maior de todas as surpresas: minha amada estava deitada e, sobre ela, um lençol encharcado de sangue. Havia sangue no chão, nas paredes, como se algum animal monstruoso tivesse destroçado algo ali.

Não pude me mover. Meu sogro adentrou o quarto em seguida: não disse que ela agora descansa? Descansa para sempre.

Nosso bebê morto jazia nos braços esqueléticos da mãe.

Minha voz estava amortecida, mas eu não consegui chorar. Nunca mais pude chorar, depois do ritual.

-Quando...? – não sei de onde tirei forças para perguntar.

O velho beijou a testa da filha, olhou demoradamente o neto e, enfim, respondeu:

-Há três dias, quando o bebê nasceu.

Exatamente quando eu os vira dar tchau para mim!

Aquilo não podia estar acontecendo. Não... Podia...

O avô se aproximou de mim de cabeça baixa:

-Ela era linda. A mais bela das moças da aldeia. De coração mais puro. E você... Você a enfeitiçou! Você a matou! Maldito!

E o velho atravessou meu peito com uma velha espada de família. Eu precisava mesmo morrer.

Mas não senti quase dor. Eu não iria morrer. Nunca mais.

Ele se apavorou brevemente, mas depois deu um sorriso cheio de sarcasmo:

-Você não vai poder se juntar a ela... Jamais.

E tirou a própria vida, diante de meus imortais olhos de prata.  

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